Há algum tempo, na minha época de prática pedagógica (cadeira académica que consiste em praticar a arte de dar aula) no I ciclo do Ensino Secundário, cruzei-me, numa das salas de aulas, com uma aluna que me impressionou. A sua forma de leitura e de expressão oral e a capacidade de interpretação e de compreensão de textos saltavam à vista e não dava para ficar indiferente.

Ter-me cruzado com ela levou-me a reflectir depois, sozinha e com a minha tutora, sobre como a escola tem um papel fundamental na identificação das potencialidades dos alunos. A seguir a essa identificação, há o papel de reforçar essas potencialidades e desenvolver nos alunos – desde cedo – o espírito de busca pela excelência, sempre.

Um país constrói-se, desenvolve-se e perpetua o ciclo de desenvolvimento com quadros formados e capazes. Esses quadros somos nós que já sentámos nas salas de aulas e, também, são as crianças que hoje sentam nas mesmas salas. É importante que tenhamos um sistema de ensino e educação capaz de reforçar as potencialidades dos alunos a todos os níveis. É preciso que os agentes de ensino – professores e todos intervenientes neste processo – estejam preparados, engajados e comprometidos no presente, com essa missão da educação e procurem, nas salas de aulas, incentivar cada aluno a buscar o melhor; ajudá-los a crescer. Vezes sem conta é importante e necessário pensar em métodos e estratégias de ensino que conduzam as crianças à excelência, ao desenvolvimento das suas capacidades intelectuais e ao reforço das potencialidades que cada uma traz em si mesma.

Penso que bons sistemas de ensino, de qualquer parte do mundo, precisam prever e formar agentes capazes de cumprir essa missão; e precisam desenvolver mecanismos para acompanhar todo o processo de evolução na educação dos seus cidadãos. No nosso sistema, infelizmente, ainda há um longo caminho a percorrer neste aspecto. Pois, muitos dos nossos professores ainda são aqueles que chegam à turma só para despejar matéria – leccionar uma aula por via da exposição de informações que erradamente chamam de conhecimento –, ou seja, mal explicam e ficam por aí mesmo. Não estão preocupados e, muitas vezes, não são formados para olharem além, para olhar a cada aluno como um futuro cidadão que se quererá participativo na construção de um país saudável para todos.

São várias as competências que fazem parte da missão da escola de desenvolver, mas que têm ficado de parte. Importa que, nas salas de aula, se procure levar os alunos ao desenvolvimento linguístico, cultural e pessoal a tempo inteiro. É um processo que deve ser contínuo e é transversal a todas as disciplinas. É preciso darmos foco ao saber fazer, ser e evoluir, tanto quanto damos, para o conhecimento. Pois, não importa só que os alunos fiquem com um monte de conhecimentos registados se depois isso não lhes faz evoluir enquanto estudantes e, grosso modo, enquanto cidadãos.

O presente e o futuro têm estado à nossa frente o tempo todo. Precisamos cuidar deles com seriedade. É imprescindível repensar os nossos procedimentos sempre que necessário, avaliarmo-nos e sermos capazes de avaliar o nosso sistema de modo a identificar o que precisa ser melhorado. Pensamos que há sempre tempo para fazermos diferente, há sempre tempo para olharmos além, só precisamos fazer por isso.