Para a Macrina

«Então fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu, tomou-lhe uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem». (livro de Gêneses, capítulo 2)

A mulher é um ser pertencente à espécie humana. Por razões naturais, nas mais das vezes, mais sensível, mais dócil, mais cautelosa, mais elegante e, como todo bem anda acompanhado com algum mal, mais perigosa. De entre as várias significações para esta unidade lexical (mulher), o Dicionário Eletrônico Houaiss da língua portuguesa diz: «(i) indivíduo do sexo feminino, (ii) aquela que tem sua fisiologia e sua vida genital percebidas como essência do ser humano feminino em sua evolução, (iii) aquela cuja imagem propaga o sucesso, (iv) idealmente belo; o chamado ‘belo sexo’».

A música é a combinação harmoniosa de sons, a arte de se exprimir por meio de sons, seguindo regras variáveis ou invariáveis. Se nos ativermos às origens do termo música, veremos que o surgimento da música esteve sempre ligado à mulher. O mesmo Dicionário Eletrônico Houaiss da língua portuguesa afirma que o termo musa está ligado às deusas, as mulheres amadas, que passaram a inspirar a poesia e a música.

Ora, a mulher é, sem dúvidas, o ser mais cantado no musical mundial. É cantada quando é esbelta, alegre, triste, simpática, generosa, trabalhadora, sensível e, também, quando decepciona o homem ou toda uma sociedade com a sua astúcia.

Dessarte, no presente ensaio, vamos procurar descodificar a mulher e as suas acções a partir das músicas «Camanga», de Tchobolito, o Mr-papel, e Johnny Ramos e «Minha Bêbada», de Gerilson Insrael. Por meio da dialética («no aristotelismo, raciocínio lógico que, embora coerente em seu encadeamento interno, está fundamentado em ideias apenas prováveis, e por esta razão traz sempre em seu âmago a possibilidade de sofrer uma refutação»), podemos dizer que a mulher, segundo as duas músicas, é um ser belo, jocoso, endeusado, interesseiro, intuitivo e boémio.

Em «Camanga», os cantores Tchobolito e Johnny ramos procuram, acima de tudo, exaltar o lado belo da mulher, a sua beleza física. Para os sujeitos músicos, a mulher, por ser bela fisicamente, deve estar ao lado de um homem rico, que a possa ajudar a manter a sua beleza. A mulher esbelta, ao namorar um homem pobre, pode ser vista como uma «maluca», descabeçada, pois ela vale dinheiro, Ferrari ou ouro. O homem desprovido de dinheiro, ao ter a sorte de namorar uma linda mulher, deve cuidá-la, amá-la de corpo e alma porquanto a presença dela é especial, «vale dinheiro». Assim, a mulher bonita fisicamente, para os referidos sujeitos cantores, é especial, vale tudo e mais alguma cousa e deve estar ao lado de um homem que tenha «camanga» (mina de diamante), ser amada, respeitada e protegida, sob pena de não ser vista como uma louca caso esteja ao lado de um homem pobre, que não possa sustentar a sua beleza.

Por seu turno, o sujeito cantor de «Minha Bêbada» procura transmitir a ideia da importância da mulher na vida de um homem e a ideia do amor, esse contentamento descontente, que tudo suporta. Para o mesmo, a mulher, independentemente de ter defeitos (beber, chegar tarde à casa, ser briguenta), deve ser amada, porque, no fundo, tem as suas qualidades tangíveis e intangíveis. Ainda segundo o mesmo sujeito, um homem pode ter muito dinheiro, ter carros e casas, mas se não estiver ao lado da sua amada, a vida não se lhe corre bem, não pode ser feliz, tendo em conta que ela, mesmo com as suas falhas, é a musa da sua vida.

Portanto, para os sujeitos cantores, primeiramente, a mulher é a companheira e a inspiração dos homens. Em segundo lugar, ela, por ser bela física ou psicologicamente, deve ser amada com toda a alma e cuidada como um diamante por todos os homens (pobres e ricos), pois que a presença dela na vida de um homem é especial, independentemente dos seus defeitos.