“Qual é a palavra mais pesquisada na internet, neste ano? Sabes?”

“Sei, Fontes. Pensas que estou distraída, né?”

“Qual é, então?”

“Depende do género do pesquisador. Queres saber dos homens ou das mulheres?”

“Estás mesmo ao corrente dos factos, amor?”

“Duvidas?! Olha, para os homens, é sexo. Para as mulheres, amor.”

“Ah ah ah ah. Falas à toa, amor!”

“E tu vieste logo ser marido de quem fala à toa? Onde foi a nossa primeira vez?”

“Priiii…”

“Fala, Fontes!”

“Primeira vez de quê, amor?”

“Não foi num carro avariado, na oficina do mestre…”

“Mas isso não tem nada a ver com a nossa conversa!”

“Ai, é?! Tens certeza de que não? E essas imagens do médico espanhol que se envolveu com cem mulheres penadas pela Covid-19, sob seu cuidado, em Barcelona?”

“Isso é sério?! É muita volúpia, pha!”

“Meu querido, as mulheres precisam de um motivo para fazer sexo. Vocês só precisam de um lugar, por mais apertado que seja.”

“O gajo foi preso?”

“Não. Morreu vítima de orgasmo agudo, sobre a dona do centésimo túnel.”

“Estás mesmo actualizada, pá!”

“Viste?! Duvidas só bué. Agora, vem.”

“Fala, amor.”

Vem para mais perto de mim, Fontes!”

“Cá estou, fala, minha mulher!”

“Enconsta mais. Prende-me nos teus braços musculosos!”

“Já sei o que queres, Deusa. Deixa comigo! Depois falas que o sexo…”

“Calma, homem! Agora, arranca-me o sutiã e faz duas máscaras!”