Só pela receptividade é que encarar uma obra transcenderá o acto de olhar para ela. Perceber as nuances, as intenções de cada traço, o movimento… enfim, a mensagem, habilita-nos ao mergulho na alma do artista e, consequentemente, tomamos posse de um ponto de vista sobre as nossas próprias almas na perspectiva do autor. Construir essa receptividade é a qualidade que nos teletransporta ao contexto em que a obra foi produzida, o estado de espírito do autor e etc. É graças a essa qualidade que conseguimos montar o mosaico histórico global. Contudo, construir essa qualidade requer um certo empenho. É preciso uma sede de experiências que se processa através da sondagem da alma humana; é preciso uma inquietação em relação ao ordinário e um descontentamento com o superficial. A combinação dessas qualidades subjectivas é que será o alicerce para uma prática de vida: Ambientar-se à cultura de museus e galerias.

Os museus e as galerias são como máquinas do espaço-tempo e, ao mesmo tempo, pequenos laboratórios que nos colocam em permanente estado de ebulição, tornando-nos, assim, prontos para experiências mais profundas com a arte. Entender a história da arte é ingressar a um território com diversas ferramentas de interpretação, por meio do mais diversificado conteúdo cultural já produzido, somos conduzidos ao entendimento de uma leitura das intenções e concepções artísticas, tornando mais fácil a indução para uma interpretação mais específica.