Quatro anos, oito edições, vários suplementos e dossiers bem como  centenas de artigos publicados, é o resumo vivo de como a força de vontade do universo Palavra&Arte não esmoreceu. Nossa luta por um país onde a arte tenha voz, embora seja levada com certa exclusividade no mundo virtual, tem sido proclamada com a veemência do sangue que corre nas veias de quem deseja a mudança e faz alguma coisa por ela. Seguimos embebidos por uma motivação descomunal, pois temos arrancada a desistência dos nossos ideais, aprendendo muito e ensinando a quem tenha mente aberta e fome de aprendizado. E sendo a arte educação, com ela se forma uma solidez intelectual que fornece ferramentas para o desenvolvimento das sociedades, porque, afinal “independentemente do tempo e do espaço, a arte sempre teve um lugar preponderante na construção da subjectividade de todos os povos, de todas as culturas” (Isis Hembe)

O ano 2019 marcou o findar de uma década repleta de criações e manifestações artísticas, dominadas maioritariamente pela principal força electromotriz que faz mover qualquer sociedade, a juventude. Nesta edição, como em todas as outras que a antecederam, apresentamos provas do que os jovens da tão famigerada “geração frustrada” têm feito, têm visto, vivido e criado com tanto ímpeto que chega a soar descabido qualquer opinião vinda de quem apenas permanece cego por opção. Os factos, os feitos, falam por si. E nesta senda estivemos, estamos, nós, Palavra&Arte, debruçando olhares diferentes nas distintas formas de arte, quer sejam de rua, de palco ou outra. E, portanto, quando o desdobrar da década começar a trazer os novos programas, as novas ideias, os novos projectos imbuídos de ansiedades e ambições, nós estaremos aqui para colher e apresentar os frutos da tamanha diversidade criativa derivada da inspiração de quem tem na arte a voz.

São os desafios da actual geração que inspirou o tema da actual edição, por ser algo que comunga a ideia da constante busca por afirmação. Trata-se da Arte Urbana, que se apresenta “como um espaço de disputa visual, pois nestes confluem imagens de várias manifestações, procurando mecanismos de demarcação de espaços para se afirmarem” (Adriano Cangombe). Dentre as várias manifestações, apresentamos um breve historial sobre o Hip-Hop, uma das culturas mais célebres pelos quatro cantos do globo e que já foi, e ainda é, um dos elementos que favorece mudanças e crescimento social. Não se fala de Arte Urbana sem se descrever os desígnios do Hip-Hop, “onde o nada aparente gerou um universo de possibilidade de expressão de vários discursos quer sejam visuais, corpóreos, linguísticos ou sonoros. (Isis Hembe).

“[A arte] vem ocupando lugar significativo nos espaços urbanos da sociedade, criando convergências, potencializando contradições, integrando vazios urbanos, reivindicando também a harmonia ao desatacar as contrariedades específicas dos homens” (Kaz Mufuma). É com este preceito, dentre tantos outros, que esta edição saiu à rua, para mostrar que belezas se vêm apresentando desde as distintas paredes de Luanda aos murais da Serra da Leba. E assim, com o volume mais alto do megafone da arte, aqui estamos, pela oitava vez, para mostrar ao mundo, e aos distintos universos sociais, a resiliência de quem está e vive pela arte, pela cultura, pelo reconhecimento e engrandecimento de tais substâncias que procuramos tê-las cada vez mais proeminentes para ajudar a reencaminhar o nosso país longe do lamaçal de incongruências artísticas, culturais e sociais em que se vê cada vez mais absorvido.