A palavra “Crise”, com 31% dos votos, foi eleita como sendo a palavra do ano em 2016, ou seja, aquela que teve maior representatividade nas diversas esferas que representam o modo de vida angolano.  Como se sabe, a escolha da palavra “crise” por parte dos angolanos (neste concurso online da iniciativa da Plural Editores Angola, do grupo Porto Editora) não constitui uma surpresa face à crise económica e financeira que o país atravessa, devido a baixa do preço do petróleo e a outros factores que não importam aqui citar.

Os efeitos colaterais da crise são visíveis, atingindo vários sectores da nossa sociedade e o modo de vida da população. Com a crise, houve um défice nas arrecadações de receitas financeiras do estado, do sector público-privado, desvalorização do Kwanza face ao dólar, aumento do desemprego… Não obstante, quando olhamos para a cenário artístico-cultural angolano do ano transacto, vemos muitos feitos que são dignos de realce, e que demostram que os artistas e promotores culturais são elementos que rapidamente se adaptam à realidade a fim de contornar os efeitos da crise.

Assim, nesta edição, trazemos matérias cujas abordagens são reflexo da produção artístico-cultural em tempo de crise e apesar da crise. Isis Hembe no seu artigo “A arte é da cor de Fenix”, sustenta que “a crise é um elemento preponderante na hora da renovação ou edificação de valores para uma sociedade”. Luamba Muinga e Cláudidio Kimahenda fazem uma análise profunda de como foi o ano cultural angolano em 2016. Mário Henriques na crónica, “E agora, Cultura?” Questiona os futuros caminhos e políticas que devem ser adaptadas pelo ministério de tutela em prol da nossa cultura ante à crise.  Trazemos ainda uma entrevista com a Carla Rodrigues, a diretora do CIT (Circuito Internacional de Teatro), um dos eventos artísticos mais expressivos da arena teatral e ainda o dossiê “O QUE MOVE O ARTISTA”, albergando o depoimento de vários artistas de como foi trabalhar diante dos desafios impostos pela crise.

É preciso realçar que, no mundo das artes, a “crise” não é de todo uma palavra nova ou emergente, ela sempre esteve presente, ademais, é e sempre foi uma palavra desafiadora para os artistas que não limitam a produção artística à falta de apoios, incentivos, meios e formas para fazer acontecer a sua arte.