«Culturalmente falando, o que é que a cidade precisa? », essa pergunta remonta de um debate com mais de dois anos. Na ocasião, muitas foram as respostas e sugestões por parte dos envolvidos na discussão pelo Facebook. Maioritariamente, foram feitas críticas ao Ministério da Cultura pela sua incapacidade e olhar passivo ante as questões emergentes da nossa esfera cultural. Dentre as várias críticas, respostas e sugestões, muitos artistas apontaram a falta de estruturas, apoios e políticas que lhes permitam dar asas aos seus projectos. Do mesmo modo, ergueram-se vozes apontando também a necessidade do fomento ao empreendedorismo artístico-cultural no seio da juventude.

A par do sector musical que é até então o mais visado em termos de apoios e patrocínios dos sectores público e privado, alguns artistas têm vindo a reinventar-se, apostando fortemente na formação artística e profissional com intuito de cimentar a sua produção. A reinvenção passa também pela aposta no empreendedorismo cultural e criação de projectos inovadores e auto-sustentáveis. É inegável que o surgimento de várias iniciativas independentes no seio do panorama artístico-cultural nacional tem dado outra pulsação a este sector.

A CASA REDE, além de ser uma das respostas necessárias sobre o que a cidade precisa culturalmente, configura-se uma potencialização de ideias por parte de cinco jovens, artistas de áreas distintas – Aneth Silva, Ana Paula Lisboa, Elisângela Rita, Luana Bartolomeu e Bona Ska. É a materialização de um projecto ousado que surge da necessidade vital e constante de respirar arte e cultura por parte destes. Sediada no sexto andar do edifício 47, da avenida Brasil, é um espaço acolhedor, forjado para que os artistas possam potencializar sua produção sem qualquer censura. Uma porta aberta para aqueles que procuram alargar o seu networking, aqui os artistas (e não só) poderão interagir de forma profunda, estreitar laços, criar conexões e partilhar ideias.

Os criadores da CASA REDE apostam fortemente nas ideias criativas de outros artistas, na promoção das mais diversas manifestações artísticas e culturais, no conceito de co-working, co-living, na residência artística para os interessados em práticas oficinais, na acessória de imprensa e nos demais serviços que sejam do interesse dos artistas e público nacional.

Todos estes conceitos estiveram em evidência na noite de inauguração, público e artistas interagiram de forma intensa nos diversos compartimentos da CASA REDE. Uma festa que agregou gente dos diversos estratos sociais, sem elitismo e discriminação, onde a arte e a cultura uniram a todos, as fotos, as memórias e testemunhos falam por si. Só posso dizer «Sintam-se em casa!»