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	<itunes:summary>Programa de entrevista e debates com artistas angolanos sobre arte e cultura</itunes:summary>
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		<title>Letras &amp; Sons &#8211; Palavra &amp; Arte</title>
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		<title>Da memória colectiva à composição musical</title>
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				<pubDate>Thu, 23 Jan 2020 18:26:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Mário Henriques]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Letras & Sons]]></category>
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				<description><![CDATA[<p>Todo e qualquer fazedor de arte constrói as suas obras a partir de uma base da realidade, embora estas sejam ficções, falando propriamente da literatura e, inclusive, da música que tem auxílio dessa, já que todo texto cantado pode ser entendido como um texto artístico-literário. Ou seja, obra nenhuma nasce do nada, por mais inventada que seja.</p>
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								<content:encoded><![CDATA[<p>Numa das manhãs em que o mês de Janeiro me permitiu estar em casa, assistia ao programa A Sua Manhã da TPA 1 cujo casal de apresentadores me tinha surpreendido pela forma embasbacada que questionavam, na conversa com Admázia Mayembe, o jeito de alguns compositores conseguirem tocar a vida de muita gente com as suas canções, inclusive contar histórias de vida de pessoas como se a conhecessem. Edmázia também tinha confirmado, respondendo a uma pergunta que lhe fora colocada, já ter cantado músicas, que lhe foram atribuídas por outros compositores, que falassem coincidentemente de certos momentos de sua vida. O “problema” que levanto tem a ver exactamente com este admirar exagerado dos apresentadores como se houvesse um segredo tal que envolvesse razões inexplicadas pela lógica e ciência.</p>
<p>Todo e qualquer fazedor de arte constrói as suas obras a partir de uma base da realidade, embora estas sejam ficções, falando propriamente da literatura e, inclusive, da música que tem auxílio dessa, já que todo texto cantado pode ser entendido como um texto artístico-literário. Ou seja, obra nenhuma nasce do nada, por mais inventada que seja.  E como certas canções chegam a, coincidentemente, falar de nossa vida ou ser apologista de uma ideia nossa como se de nós estivesse a retratar? Tudo graças àquilo que podemos chamar de memória colectiva.</p>
<p>A memória colectiva é constituída por informações da vida de cada cidadão de uma sociedade e de comunidades desta mesma sociedade e de opiniões sobre tudo que rodeia cada membro dessa sociedade, bastando que haja convivência entre as pessoas, a mínima que seja. Quero dizer que uma conversa com o nosso vizinho sobre qualquer assunto inclusive da nossa vida é um dado para a memória colectiva que estará a dispor de  qualquer pessoa que terá acesso também pela convivência e partilha com o outro. Em outras palavras, falo de uma espécie de rede formada por essas informações e, de alguma forma, memórias individuais. É, portanto, graças a esta memória, por exemplo, que os neologismos (palavras novas) chegam ao conhecimento de todos. A palavra “mata-bicho”, por exemplo, segundo à memória colectiva dos angolanos, significa “pequeno-almoço”. Quem inventou, como e porquê são questões que, geralmente, não ficam depositadas nesta memória, mas o resultado que é a palavra nova espalha-se sem o apoio de linguistas e de dicionaristas, particularmente, apenas com a boca dos falantes.</p>
<p>Seguindo esta ideia, é-nos fácil perceber que não há segredo nenhum quando compositores elaboram canções que toquem facilmente a vida de alguém, por retratar algum momento da sua vida, sem, porém, darmos como descrição de factos da realidade deste ou daquele ou de alguma coisa da vida real. Porém, também, parece-nos normal relacionarmos, pelas razões já referidas, composições musicais à vida do cantor que o interpreta, mas tudo deve passar como ficção por mais motivações da vida real possa ter servido como razões. Todavia, também é importante referir que isso cabe a grandes compositores como Paulo Flores, Matias Damásio, Bonga, só para citar alguns, que nos deram o prazer de, além de ouvir canções de valiosas melodias, harmonia e ritmo, levaram-nos à reflexão, relacionando suas letras com assuntos da nossas vidas e de vidas de terceiros sem que, necessariamente, falasse deste ou daquele. Se for alguém de capacidade de composição medíocre, podemos estar diante de composições cujo conteúdo é de um objectivo tal que possa servir de difamação da vida alheia ou cujo conteúdo é de expressões e abordagem cansativas pela constante repetição como se de um texto explicativo se tratasse.</p>
<p>Por isso, curta a música da sua vida, mesmo que não seja sobre a sua vida, embora a sua vida possa ter servido de motivação para as criações artística e musical.</p>
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		<item>
		<title>Kuduro, da ideo-estética aos sons mais “fodidos”</title>
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				<pubDate>Mon, 05 Aug 2019 09:59:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kalunga]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Letras & Sons]]></category>

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				<description><![CDATA[<p>Desde a sua génese, o kuduro sempre foi música e dança. Uma dança que requer muita elasticidade por parte do bailarino. A sua dança  primária era chamada de «underground», um conjunto de movimentos controlados dos braços, da cabeça e dos pés, combinando – ao lado de muita criatividade – movimentos (passos) do ndomboló, do break, do b-boy e mais alguns estilos dançantes.</p>
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]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote"><p><em><strong>Vem o que vier / ninguém mata o kuduro / vocês vão correr um por um / Vocês vão cair um por um</strong> </em> (As Palancas, em Viva o kuduro)</p></blockquote>



<p>Em sentido primitivo, a música
estava relacionada a tudo que dizia respeito às musas, tudo que dava ideia de
coisa agradável ou bem-posta. A vida seria uma tristeza se a música não
existisse, disse certa vez o filósofo alemão Nietzsche. </p>



<p>Três estilos musicais são mais
ouvidos em Angola: o kuduro, o kizomba e o semba. Em Angola, o semba e o
kizomba são os estilos musicais mais apreciados pela elite. O semba, estilo
tradicional angolano, sempre esteve ligado à elite, pois, no período colonial,
servia de meio de recreação e de passagem da mensagem para a insurreição, para
a luta pela independência e para a esperança de dias melhores num país que
ainda não tinha começado. Nas linhas do semba e de outros estilos (como o das
músicas antilhanas) surge o kizomba, um estilo, ao que se atesta, criado pelo
músico Eduardo Pain, também conhecido por general Kambwengo. Ao lado dos dois
estilos, surge um terceiro: o kuduro.</p>



<p>O kuduro é um estilo criado dentro
da última década do século passado (xx), não há&nbsp;
uma data certa como alguns estudiosos têm dito (1995), mas podemos dizer
que – o estilo propriamente dito – surge entre 1993 a 1994. Ao que se
reconhece, o referido estilo foi criado por Tony Amado, mas é com Sebem, pelo
seu dinamismo, que o estilo passa a ser visto com mais frequência na televisão,
ganhando, décadas depois do seu surgimento, um programa (o «Sempre a Subir»,
primeiramente apresentado pelo próprio Sebem (em companhia da Carina) e, posteriormente,
pelos kuduristas Presidente Gasolina e Príncipe Ouro Negro). O kuduro surge
numa Angola que estava no cume de uma guerra entre as FAA, Forças Armadas
Angolana, e a UNITA, União para a Independência Total de Angola, que viria a
terminar no terceiro ano do século XXI. Contextualmente, uma Angola com uma
população, maioritariamente, miserável, se nos ativermos ao princípio de&nbsp; que se considere pobre todo ser humano que
sobreviva, diariamente, com menos de um dólar. </p>



<p>Embora Amado seja o pai do kuduro,
o primeiro músico a lançar um álbum desse estilo foi Bruno de Castro. Partindo
do método dialético, Simbad (2018) nega a eventual ideia de que o kuduro
provenha das zonas periféricas. Em nosso conceber, para se saber a origem do
kuduro, torna-se imperativo conhecer o local e a produtora (estúdio, como
costumam a chamar os cultores do estilo) onde foi criada a primeira música
nesse estilo em Angola (Sambizanga? Rangel? Cazenga? Ou Viana?).</p>



<p>Desde a sua génese, o kuduro sempre
foi música e dança. Uma dança que requer muita elasticidade por parte do
bailarino. A sua dança&nbsp; primária era
chamada de «underground», um conjunto de movimentos controlados dos braços, da
cabeça e dos pés, combinando – ao lado de muita criatividade – movimentos
(passos) do ndomboló, do break, do b-boy e mais alguns estilos dançantes. Nos
últimos tempos, a sua dança quase que se tem reduzido ao movimento dos pés para
os homens e o remexer do glúteo para as dançarinas (normalmente, jovens de bundas
avantajadas). Dos tradicionais bailarinos do estilo, hoje, ainda podemos
encontrar os irmãos Cara-Feia e Pipino, residentes no município do Cazenga.
Quanto aos cantores, podemos dizer que os seus expoentes são: Sebem, os Lambas,
Bruno M, Puto Lilas e a Noite-Dia. Dessarte, convém sempre falar de kuduro
música casada com o kuduro dança, ou seja, música e coreografia.</p>



<p>Pensamos que, no que toca à ideo-estética,
é necessário haver certa cultura e agilidade para se cantar e dançar kuduro
cujas canções, geralmente, são feitas com base num «encadeamento de frases (ou
versos) que rimam emparelhadamente», objectivadas, nalguns casos, no papel e,
geralmente, em registo auditivo. A música kuduro, com o passar dos tempos,
desdobrou-se em duas variantes: underground e lamento. O «underground» (como
era designada também a dança na sua génese) é cantado, geralmente, numa «prosa
composta por frases extensas, exigindo dos cultores, na maioria das vezes,
maior aceleração da voz». Já o lamento, mais preocupado com os problemas
sociais e pessoais (cujo expoente é o cantor Rey Loy, o pai do lamento), é
feito numa prosa menos extensa, menos acelerada no cantar e – em nossa
percepção – tem uma sonoridade mais suave. </p>



<p>Se tivermos em conta os dados do
último censo em Angola (2014), que indicava que a maior parte da população
angolana é jovem, podemos, desse jeito, concluir que o referido estilo é mais
apreciado por crianças, adolescentes e jovens e que, como afirma Simbad (2018),
«vai-se a uma festa de bairro, e o kuduro ou o que é chamado de afro-house –
kuduro retornando à origem, na visão daquele que é tido como o criador – domina
as pistas». Outrossim, é possível dizer que essa juventude apreciadora desse
estilo musical e dançante (incluindo algumas crianças e adolescentes, como
dissemos) vem das periferias, musseques e cidades de Angola (e, com pequeno
relevo, do Brasil, de Portugal e doutros países indeterminados), e – ao
contrário das palavras do pai do kuduro – &nbsp;podemos deduzir que o afro-house é a terceira
variante (ou um subestilo) do kuduro. </p>



<p>Destacados muitos(?) dos aspectos
da historiografia e da ideo-estética desse estilo, é nosso desiderato
interpretar, decodificar alguns dos grandes <em>hits</em>
do estilo musical, «os sons mais fodidos», nos dizeres dos fiéis apreciadores e
cultores do mesmo. Para tal intento, seleccionámos algumas músicas de
compositores como Sebem, Cabo Snoop, Fofandó, Bruno M, Os Lambas, Noite-Dia, Rei
Loy e o Elenco da Paz. Mapeámos esses cantores, porque pensamos serem dos mais
conhecidos cultores do estilo e que, no que diz respeito à ideo-estética,
ligada ao estilo próprio e à sonoridade, realizaram músicas que marcaram e
maracarão a vida desse estilo (se não foi [será] pela substância das músicas,
foi [será] pela dança).</p>



<p>Para começar, esclarecemos que se muitos
dos kuduristas são vistos como delinquentes pelo modo como se vestem, pelo uso
de brincos, cortes de cabelo extravagantes e pintados e, na maioria das vezes,
a maioria das músicas do estilo em causa são marginalizadas pelas suas
mensagens. </p>



<p>Ora, Sebem, na música «A felicidade»,
mais do que tudo, procura transmitir o prazer da felicidade, o quão boa ela é.
Numa Angola que estava (ou vinha) de uma guerra, era, obviamente, uma mensagem
como essa, de que «a felicidade todos nós queremos», que acalmaria ou levaria
as pessoas ao deleite, a esquecerem – ainda que por pouquíssimos minutos – as
sequelas do conflito armado que separou e dizimou milhares de pessoas. Assim,
apesar de poucas palavras (versos), «A Felicidade» &nbsp;é um dos melhores <em>hits</em> do kuduro, porque traz uma mensagem que todo um povo precisava
para dançar e festejar pelo fim de um mal que durou quase ou vinte e dois anos.
</p>



<p>Cabo Snoop, vencedor da categoria
de «Músico de África em Expressão Portuguesa» do aclamado prémio Mtv base, no
hit «Windeck», denuncia o aproveitamento, sobretudo, dos homens para com as
mulheres quando estas estão em estado de embriague, quando sabem que um homem
está extremamente apaixonado por elas e, também, tenciona denunciar a
prostituição e o exibicionismo. Assim, a música Windeck, mais do que pela
mensagem, fica marcada como um <em>hit</em>
pela sua dança. Nota-se que a referida música chegou a dar título a uma
telenovela, produzida pela Semba Comunicações. </p>



<p>Fofandó, a primeira mulher a
cantar kuduro, na música «Iniquidade», transmite uma mensagem de abandono do
mal, mandar a «iniquidade fora» da vida das pessoas (ou dos locais de
convívio). Deve-se ter&nbsp; em conta, ainda,
nesse <em>hit</em>, a passagem que, quase como
na bíblia, chama atenção para se ter em mente a dualidade da vida e da morte,
porque <em>«viemos do pó, mas é do (ao) pó
que voltaremos»</em>. É, sem dúvidas, para se terminar a interpretação, um dos <em>hits</em> desse estilo dançante, pelas massas.</p>



<p>Bruno M, na música «Anda pára»,
começa por cumprimentar os senhores e senhoras, parecendo que está a dar um
discurso numa tribuna. Ainda na primeira estrofe mostra que ele não canta por
interesse, cita o nome de algumas pessoas que lhe têm ajudado no mundo da
música (uma das características do estilo) e, em gesto de repúdio aos seus colegas
que não fazem música com boa estética e conteúdo, sentencia que <em>«se cantar à toa fosse crime, muitos
estariam atrás das grades»</em>. A segunda e a terceira estrofe são dominadas
pelo ego do cantor, que exibe a beleza das suas músicas e chama atenção para a
tristeza que reside no seu âmago, apesar de muitos o terem incentivado a
continuar a fazer kuduro. Realçam-se, na terceira estrofe, duas frases que
carregam lógica e filosofia: <em>«o peixe não
enche o cesto se não for retirado do mar»</em> e <em>«(as) virtudes do homem honesto são como o sol quando está a brilhar»</em>.
Contudo, no <em>hit</em> «Anda pára», é na
quarta e quinta estrofe que, apesar do exagerado ego do músico, há mais
conteúdo, porquanto, nela, o músico protesta contra a riqueza de algumas
pessoas quando a maior parte da população angolana vive em situação de pobreza,
a falta de habitação própria para muitas famílias, reafirma o seu gosto
especial pelo estilo kuduro, apesar de ouvir também outros estilos musicais, reclama
a perda de identidade africana por parte de muitos africanos, a banalização das
línguas africanas, a perda dos valores morais, do civismo e da moral, afirma
que o kuduro é o estilo da maioria e, o que poucos kuduristas fariam, admite
que ele, Bruno M, sem os seus ouvintes, <em>«é
como um atleta que não tem pés»</em>. Enfim, como «A dança dos combas», o «Ma»,
o «Aonde», o «Por cada lágrima» ou o «Tchubila», «Anda pára» é um dos melhores <em>hits</em> do kuduro, pela dança, sonoridade e
o conteúdo.</p>



<p>Os Lambas, no <em>hit</em> «Diga não ao crime», trazem uma mensagem positiva para a
juventude que anda perdida no mundo da delinquência; procuram incentivar a
juventude a apostar no estudo e no trabalho; afirmam não serem bandidos. Nesse <em>hit</em>, o apelo deles <em>«vai para os adultos e os adolescentes, para não levarem o crime na
mente», </em>para «terem mente criativa», andarem de cabeça erguida, sempre
firme, não fazerem o que lhes prejudica, porque o tempo é curto; para participarem
da luta contra o crime (da delinquência ao aborto, segundo um dos versos
cantado pelo Nagrelha, o Estado Maior do kuduro). Outrossim, realça-se, nesse <em>hit</em>, a seguinte passagem filosófica: <em>«ser esperto não é ser inteligente»</em>
(Bruno King). Portanto, «Diga não ao crime» é um dos melhores <em>hits</em> do kuduro, e se não for dançante,
deve ser apreciada a mensagem que abarca nas suas entranhas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em><strong>O kuduro é um estilo musical dançante. É o estilo mais ouvido e mais dançado em Angola. As suas músicas, na maioria das vezes, são manifestações do ego e da criatividade dos artistas que o cantam</strong></em></p></blockquote>



<p>Noite-dia (ou Noite e Dia, como é
grafado habitualmente), na música «Abre o livro», procura transmitir a ideia de
que ela é a rainha do kuduro e faz uma réplica às pessoas que dizem que não
dançam kuduro. Embora o coro dessa música remeta para uma mensagem positiva,
pensamos que a verdadeira mensagem que a cantora queria transmitir com o coro
não seja a de «abrir um livro», pois a dança desse <em>hit</em> não envolve algum livro. Segundo a nossa visão, o coro dessa
música incentiva os bailarinos a dançarem com mais movimentos das pernas, a
abrirem as pernas «sem maldade». Sabendo que o/a artista é o criador de coisas
belas, Noite-dia, criou esse <em>hit</em> e,
como as melhores manifestações artísticas surgem do inconsciente, concebemos
que ela não chegou a dar por conta de que o livro que pede para ser aberto seja
uma metáfora das pernas. Portanto, «Abre o livro» é uma das músicas mais dançada
e mais ouvida do estilo musical kuduro e, pelo modo como as bailarinas da Noite-dia
e a multidão dançam, esse <em>hit</em> levanta
polémica sobre o seu verdadeiro intento, permitindo múltiplas interpretações,
das boas às más.</p>



<p>Rei Loy, o rei do kuduro lamento, na
música «Minha profissão», traz a mensagem da importância do trabalho digno (não
importando qual seja). O cantor procura dizer que aguarda o seu momento de
sucesso, que tem esperança de atingir a ribalta. Aconselha as pessoas a não
sentirem vergonha dos seus trabalhos, porque mais vale trabalhar do que ser
ladrão ou viver das aparências. Por&nbsp;&nbsp;
outra, ele apresenta o sofrimento da população das zonas periféricas.
Como podemos constatar nos seguintes versos: <em>«O pai é pobre mas a mãe é doente / Os canucos não estudam minha camba
não trabalha/ Pensar no futuro e pedir sempre pra Deus»</em>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </p>



<p>O Elenco da Paz, segundo
classificado do Top dos mais Queridos 2017 – em nossa percepção, um dos grupos
que melhores mensagens tem procurado transmitir por meio do estilo kuduro –, na
música «Da Zungueira», mostra a importância da zungueira (vendedeira,
normalmente nos locais impróprios para a venda, ou ambulante), o relevo que a
sua banheira (negócio) tem para o seu bem e para o bem de toda a sua família.
Os cantores apresentam a zungueira como uma mulher batalhadora, dinâmica e
trabalhadora. «Da Zungueira» também é, com certeza, uma chamada de atenção para
os fiscais (funcionários das administrações municipais que têm, diariamente, o
papel de evitar a venda ambulante nos cascos urbanos) e para aqueles que
menosprezam a actividade dessas mulheres que, vendendo, levam «o pão de cada dia»
\ para as mesas dos seus lares, ou seja, sustentam as suas famílias. Dessarte, se
soubessem o quanto é importante a banheira da zungueira, os fiscais não a
levariam, e o resto dos cidadãos nunca banalizariam o esforço delas. Enfim, é
essa musa, zungueira, (que chegou a inspirar o poeta nacional, Agostinho Neto,
e muitos outros homens fazedores da poesia angolana) que o Elenco da Paz, grupo
mais premiado a nível do kuduro, traz como fundo do <em>hit</em>&nbsp; «Da Zungueira». </p>



<p>À guisa de conclusão, podemos dizer que o kuduro é um estilo musical, principalmente, dançante. Por outro lado, é o estilo mais ouvido e mais dançado em Angola. As suas músicas, nas maioria das vezes, são manifestações do ego e da criatividade das crianças, adolescentes e jovens que o cantam, mas alguns cultores (como Bruno M, Bd Bigodão, Rey Loy, Dj Nile, Rey Panda e o Elenco da Paz) têm procurado, com as suas músicas, mostrar a realidade social, económica, política e cultural de Angola, ou seja, chamar atenção para com a delinquência juvenil, a pobreza, a desigualdade social, o desemprego e a unidade nacional.&nbsp; </p>



<p><strong>FONTES
DE PESQUISA</strong></p>



<p><a href="http://nguimbangola.blogspot.com/2007/12/zungueira-e-potica-da-sobrevivncia.html">http://nguimbangola.blogspot.com/2007/12/zungueira-e-potica-da-sobrevivncia.html</a>&nbsp; (Recuperado
em 20 de Julho de 2018)</p>



<p><a href="http://mrtzcmp3.eu/?artist=Os-Lambas&amp;track=Intro">http://mrtzcmp3.eu/?artist=Os-Lambas&amp;track=Intro</a>
(Recuperado em 22 de Julho de 2018)</p>



<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3VgKgwvxd14">https://www.youtube.com/watch?v=3VgKgwvxd14</a>
(Recuperado em 25 de Julho de 2018)
</p>



<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DEPid5A13-c">https://www.youtube.com/watch?v=DEPid5A13-c</a>
(link de hits de kuduro,
Recuperado em 27 de Julho de 2018)</p>



<p>Simbad , H. (2018). Entre a violência simbólica(?) e uma estética subversiva – o kuduro, Revista Palavra e Arte: Luanda, Recuperado em 1 de Julho de 2018 de <a href="http://palavraearte.co.ao/entre-a-violencia-simbolica-e-uma-estetica-subversiva-o-kuduro/">http://palavraearte.co.ao/entre-a-violencia-simbolica-e-uma-estetica-subversiva-o-kuduro/ </a></p>
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		<title>ASCENSÃO DE ORGUITA: MADOÍSMO, REVOLUÇÃO OU BADISMO?</title>
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				<pubDate>Fri, 02 Aug 2019 14:30:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Domingas Monte]]></dc:creator>
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				<description><![CDATA[<p>Badi Orguita, a mãe de todas as kuduristas, como ela mesma se intitula, é a nova sensação do mundo artístico em Angola. Surgiu do gueto, como grande parte dos kuduristas, e vem afirmando-se no mercado nacional, com o seu “Vou te acarcar”, que já faz furor nas pistas de dança. O fenómeno despontou do “Rangu” ou Rangel, e tem 54 anos de idade.</p>
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								<content:encoded><![CDATA[<p>Badi Orguita, a mãe de todas as kuduristas, como ela mesma se intitula, é a nova sensação do mundo artístico em Angola. Surgiu do gueto, como grande parte dos kuduristas, e vem afirmando-se no mercado nacional, com o seu “Vou te acarcar”, que já faz furor nas pistas de dança. O fenómeno despontou do “Rangu” ou Rangel, e tem 54 anos de idade.</p>
<p>A sua primeira aparição na televisão foi no programa “Janela Aberta” do canal 1 da Televisão Pública de Angola (TPA). Com a sua performance, mostrou-se-nos uma mulher destemida e, acima de tudo, despida de preconceitos. A forma como segura o microfone ao longo de toda a apresentação é representativo disso; [FIRMEZA].</p>
<p>Num primeiro olhar, pensa-se “essa tia” é uma “madó” (termo angolano para designar pessoas que querem se mostrar, aparecer). Porém, depois de algumas visualizações, compreende-se que se está diante de uma revolucionária, inconformista natural. Aparece com as suas vestes (saia comprida e lenço), de senhora angolana, sem embarcar em estravagâncias, algo que é comum nas cantoras mais novas; aqui a alcunha de mãe de todas as kuduristas assenta-lhe na perfeição.</p>
<p>Neste aspecto, Orguita revoluciona e promove uma nova forma de olhar para o kuduro. Não como um estilo musical marginal, mas constitutivo das nossas gentes e que move massas, da qual todos nós fazemos parte; crianças, jovens e adultos. Quantos mais velhos dançam e cantam kuduro nas sentadas e nos seus quartos? Muitos! Alguns também já alimentaram o sonho de ser kudurista, mas nunca tiveram a coragem de Orguita.</p>
<p>Para isso, necessário será ser badi, pois cantar kuduro não é para qualquer um. Com o surgimento da Orguita, podemos dizer que fomos todos “acarcados” e, até ao momento, estamos de queixo caído. Ela é uma ARTISTA.</p>
<p>É dum assombro invulgar o nome dela, “Badi Orguita”, e a sua música de estreia, “Vou te Acarcar”, o que nos leva a dizer que neste aspecto ela foi bastante assertiva e que, o seu nome e a música, acabam por representar tudo o que já foi referenciado atrás, que se pode resumir numa palavra; CORAGEM. Não foi coincidência, aí está a genialidade de um artista, como afirma James Joyce: “os génios não cometem erros. Os seus erros são sempre voluntários e dão origem a alguma descoberta”.</p>
<p>Portanto, vamos afirmar que Badi Orguita, a mãe de todas as kuduristas, “acarcou” madoísticamente todo o mundo e, para tal, foi preciso ela ser badi.</p>
<p><em>Artigo publicado originalmente no site:</em> <a href="https://mweloweto.com/"><strong>Mwelo Weto</strong></a></p>
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		<title>Kuduro: Um breve olhar</title>
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				<pubDate>Thu, 01 Aug 2019 11:19:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Sérgio Van-dúnem]]></dc:creator>
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				<description><![CDATA[<p>O estilo, antes marginalizado e considerado acolhedor de marginais e drogados, é hoje um dos estilos mais conhecidos além-fronteiras, senão mesmo o mais conhecido, e que livrou muitos jovens do mundo das drogas, do roubo e da criminalidade, ou seja, deu-lhes dignidade e, comummente, uma melhor forma de estar na sociedade.</p>
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								<content:encoded><![CDATA[<p>O kuduro é, sem dúvidas, o estilo mais angolano que existe. Por este motivo é que se tornou no ópio que corre nas veias de todo o povo angolano. É incrível a forma como este estilo musical toca a alma das pessoas (crianças, jovens e adultos), com um simples toque das músicas: “lhe avança”, “estou a cair com cadeira”, “estou a partir cama”, ”toque do naná“, “vou matar lá um”, ou “abri o livro”. O estilo, antes marginalizado e considerado acolhedor de marginais e drogados, é hoje um dos estilos mais conhecidos além-fronteiras, senão mesmo o mais conhecido, e que livrou muitos jovens do mundo das drogas, do roubo e da criminalidade, ou seja, deu-lhes dignidade e, comummente, uma melhor forma de estar na sociedade.</p>
<p>O estilo começou com a geração dos animadores (Toni Amado, Sebem, etc), passou pela geração de rimas (Os Lambas, Puto Prata, etc) e foi crescendo cada vez mais. É um estilo como um outro qualquer, pois é cantado por homens e mulheres. No estilo kuduro, tudo pode acontecer. Desde os “biffes” à forma como cantam e dançam, que é muito contagiante. Antes só havia uma forma de dançar o kuduro, era chamada de “Andegrone”, termo que mais se parece com a palavra inglesa “underground” e cujo significado é debaixo do solo ou subterrâneo. Talvez seja por este facto que, ao dançar, os bailarinos se jogam ao chão, dão “mortal” sobre os tectos, partem as cadeiras sobre o corpo e, até, chegam a mastigar cacos de garrafa.</p>
<p>Por não ser um estilo uniforme, surgiram várias meninas no movimento; desde a Fofandó, Noite Dia e, mais recentemente, a Badi Orguita, que, com a sua carga feminina, sem vergonha e longe de se intimidar pelo preconceito dalgumas pessoas, apareceu para “acarcar” todos os kuduristas, especialmente as meninas. E não é que ela “acarcou” mesmo!</p>
<p>Badi Orguita é, sem sombras de dúvidas, alguém que veio provar à sociedade que não há uma idade própria para emergir no mundo da música, em particular no do kuduro. O seu “acarque” foi tão forte que não foi preciso muito tempo para que ela se tornasse machete e destaque em todas as redes sociais (Facebook, WhatsApp, Instagram). Ela é mais uma que veio aumentar a tensão que se vive entre as kuduristas, impondo a sua posição no movimento, mesmo sendo a que se veste sem estravagância ou a que menos aparece nos principais palcos da nossa praça.</p>
<p>O que dizer mais sobre o kuduro, após a aparição da Badi Orguita? Bem haja a todos que lutam em prol do kuduro e da cultura angolana.</p>
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		<title>O Rangel e o kuduro</title>
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				<pubDate>Wed, 31 Jul 2019 12:30:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eronilde Bartolomeu]]></dc:creator>
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				<description><![CDATA[<p>Esta capacidade de promover kuduristas fez do Rangel o lugar mais procurado por aqueles que almejassem sucesso no estilo. Como exemplo vivo, temos a polémica Jéssica Pitbull, oriunda do Sambizanga, que encontrou o sucesso no Rangel. Por trás de todo o sucesso que o Rangel granjeou no estilo Kuduro, há o nome dos conceituados DJ´s De Vitor, Ditox, Znobia, etc</p>
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								<content:encoded><![CDATA[<p>Rangel, outrora município, é um dos distritos que constitui a área urbana da província de Luanda, capital de Angola. O Rangel tem 6,2 km² e cerca de 260 mil habitantes. Está limitado a Oeste pelo município da Ingombota, a Norte pelo município do Sambizanga, a Este pelo município do Cazenga e a Sul pelos municípios de Kilamba Kiaxi e Luanda. É constituído pelas comunas da Terra Nova, Rangel, Marçal e Precol.</p>
<p>O distrito deu e dá cartas no mundo da arte, principalmente na dança e na música. Nomes como Mateus Pelé do Zangado e Joana Perna Mbuco elevaram-no à categoria de um dos mais conhecidos do país. Esta fama reflecte-se ainda mais graças aos kuduristas que nele habitam.</p>
<p>O estilo kuduro surgiu na década de 90. Mas só no princípio do século XXI é que o distrito foi ganhando os primeiros cantores de renome. Nomes como Noite e Dia, Puto Prata, Puto Lilas, Saborosa e Fofandó colocaram o distrito como uma paragem obrigatória para o estilo kuduro. A rivalidade entre Sambizanga e Rangel, que nasceu logo a seguir, foi, também, um dos marcos para a ascensão do Rangel. Fofandó, conhecida como a Rainha do kuduro, infelizmente, não conseguiu manter-se na ribalta ao longo dos anos, embora tenha voltado com o sucesso “ndi dó” recentemente. Enquanto isso, Noite Dia carregou a bandeira do Rangel neste estilo, e, hoje, é a kudurista com mais sucesso.</p>
<p>Esta capacidade de promover kuduristas fez do Rangel o lugar mais procurado por aqueles que almejassem sucesso no estilo. Como exemplo vivo, temos a polémica Jéssica Pitbull, oriunda do Sambizanga, que encontrou o sucesso no Rangel. Por trás de todo o sucesso que o Rangel granjeou no estilo Kuduro, há o nome dos conceituados DJ´s De Vitor, Ditox, Znobia, etc.</p>
<p>Quanto ao kuduro no masculino, dispensamos as apresentações. Puto Lilas, o mais consagrado kudurista do Rangel, também conhecido como “A defesa do Rangel”, é quem tem uma das maiores rivalidades contra o Nagrelha, que é o melhor kudurista do Sambizanga.</p>
<p>Com tantas figuras de renome, sem esquecer Karliteira, Reeducador, Própria Lixa, Nacobeta, Dada 2, etc., o Ran¬gel ainda tem uma nova estrela. BADI ORGUITA. Ela surpreendeu todos com o seu sucesso “Vou te Acarcar”. Sendo já adulta, não só chamou atenção com a sua música, como também pela sua forma de vestir e actuar, que, de certa forma, mostram que não dá ouvidos para os comentários negativos.</p>
<p>Como disse Domingas Monte: “Num primeiro olhar, pensa-se «essa tia» é uma «madó» (termo angolano para designar, pessoas que querem mostrar-se, aparecer). Porém, depois de algumas visualizações, compreende-se que se está diante de uma revolucionária, inconformista natural, que aparece com as suas vestes (saia comprida e lenço) de senhora angolana, sem embarcar em estravagâncias, o que é habitual em cantoras mais novas. Assim, a alcunha de “mãe de todas as kuduristas” assenta-lhe na perfeição. Neste aspecto, Orguita revoluciona e promove uma nova forma de olhar para o kuduro. Não como um estilo musical marginal, mas constitutivo das nossas gentes e que move massas, da qual todos nós fazemos parte: crianças, jovens e adultos. Quantos mais velhos dançam e cantam kuduro nas sentadas e nos seus quartos? Muitos! Alguns também já alimentaram o sonho de ser kudurista, mas nunca tiveram a coragem de Orguita. Ela é uma ARTISTA.” Com este “acarque”, o Rangel demostra, mais uma vez, que, se quiseres ter sucesso, basta saberes como chegar à capital do kuduro, o Rangel.</p>
<p><em>Artigo publicado originalmente no site:</em> <a href="https://mweloweto.com/"><strong>Mwelo Weto</strong></a></p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="http://palavraearte.co.ao/o-rangel-e-o-kuduro/">O Rangel e o kuduro</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="http://palavraearte.co.ao">Palavra &amp; Arte</a>.</p>
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		<title>Justino Handanga, a voz que consolou os angolanos numa fase delicada da história do país</title>
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				<pubDate>Mon, 28 Jan 2019 10:12:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Gosmindo Ngalelo]]></dc:creator>
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				<description><![CDATA[<p>Handaga é um artista que soube ler o momento e interpretar os corações feridos dos angolanos para, então, anunciar as boas novas. E como as principais vítimas do conflito armado tinham sido as populações do centro e sul do país, o artista serve-se dos seus conhecimentos da cultura desse povo e, assim, canta a paz então alcançada e pedi aos seus irmãos para regressarem às suas terras a fim de reaver os seus bens, rever os seus parentes sobreviventes do conflito e contribuiu, sobretudo, para a união e reconciliação nacionais.</p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="http://palavraearte.co.ao/justino-handanga-a-voz-que-consolou-os-angolanos-numa-fase-delicada-da-historia-do-pais/">Justino Handanga, a voz que consolou os angolanos numa fase delicada da história do país</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="http://palavraearte.co.ao">Palavra &amp; Arte</a>.</p>
]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[
<p>Volvidas
quase duas décadas depois do lançamento do primeiro álbum discográfico de
Justino Handanga, lembramo-nos, com profunda saudade, da voz, da letra e do
ritmo tocado um pouco por todo o país e na diáspora (especialmente nas
comunidades angolanas). O álbum “Onjongele yatelisiwã” (alvo atingido), lançado
em 2004, surge numa oportunidade única, fase em que os angolanos acabavam de
sair duma guerra civil de quase três décadas. Ora, após os acordos de Paz, a 4
de Abril de 2002, antecedido pelo silenciar das armas dois meses antes, o povo
encontrava-se traumatizado devido o conflito que não só destrui as melhores
infraestruturas do país como também ceifou milhares de almas e deixou viúvas,
órfãos e mutilados. Nesta fase, o povo estava desesperado, a paz ora anunciada
parecia-lhe ainda uma quimera. </p>



<p>Apesar
do transe, nascia, entre os angolanos, o sonho de reencontrar famílias,
reconstruir lares e reedificar o que havia sido destruído pela guerra. Embora o
conflito não tivesse assolado todas as províncias, as do sul, sudoeste, leste e
principalmente as do planalto central (Huambo e Bié) estavam totalmente
arrasadas. Foi nesse momento e circunstância que, entre a vastidão das belas
vozes da música nacional, Justino Handanga surge com letras cujas mensagens
atingiram a emoção dos angolanos, transmitindo alegria, amor, paz e esperança. </p>



<p>Handaga
é um artista que soube ler o momento e interpretar os corações feridos dos
angolanos para, então, anunciar as boas novas. E como as principais vítimas do
conflito armado tinham sido as populações do centro e sul do país, o artista
serve-se dos seus conhecimentos da cultura desse povo e, assim, canta a paz
então alcançada e pedi aos seus irmãos para regressarem às suas terras a fim de
reaver os seus bens, rever os seus parentes sobreviventes do conflito e
contribuiu, sobretudo, para a união e reconciliação nacionais.</p>



<p>Pelo exposto,
nota-se no trecho desta música: <em>“Ndumbalundo
uyakiwanelekulo/ Cilo wapwa ndityukila kimbo/ Amanjange ndacipopale/ Ohalielã
ikapwawe/ Tukanda Kovambo etu akome/ Tukakala ciwa he…”</em>. Como consta, o
artista serve-se da língua umbundo (a segunda mais falada em Angola, depois do
português) como instrumento de comunicação por excelência. Assim, numa tradução
literal da estrofe anterior, temos a seguinte mensagem: “Sou do Bailundo, vim
parar aqui por causa da guerra/ Mas agora terminou/ Voltarei para a minha
terra// Oh, meu irmão/ eu bem dizia que um dia o sofrimento iria acabar/ Iremos
às nossas terras/ E seremos felizes…”</p>



<p>A
estrofe desta música convida os seus compatriotas que, por motivos do conflito
armado, se encontravam longe das suas terras, dos seus kimbos (lares),
motivando-os a regressarem à casa. Conforme podemos notar no refrão da mesma
música: <em>“Helãokwenda/ eheya/
Helãokwendaehe/ Tutyukilaeheya/ Tutyukilaehe/ Tuyukilakumãieheya/ Tutyukilaehe/
Helã okwenda avoyo eheya/ Helã okwenda ehe”</em>. Tradução literal: amanhã,
voltaremos/ Voltaremos/ Voltaremos para a mãe/Voltaremos/Amanhã voltaremos.
Ora, o final desta música reveste-se duma linguagem conotativa penetrante que
leva o ouvinte a viajar no tempo e no espaço, ao dizer: <em>“Olumnda vyokimbo vyovyo vimolehã we ehe/ Lumbanganda omulehã akome/
Ocipalã lovaso/Ocipepi Lutimawe/ Ndilinga ndaty avoyo akome/ Okutate koko
cavala”</em> (refrão). Traduzindo: “Lá estão as montanhas da minha terra!/ O
moro Lumbanganda também aparece/ É distante com os olhos/ Próximo com o
coração/ Que faço então!/Lá está a terra do meu pai!”</p>



<p>A
música anterior, quando fosse ouvida por alguém que a compreendesse, resultava
numa verdadeira catarse, na medida em que permitia ao ouvinte esquecer-se dos
problemas do passado, voltar-se para si e, reanimado, pensar mesmo em voltar
para a terra, pois é lá onde cada um tem o que precisa para sobreviver e
consegue encontrar os seus entes queridos, com os quais é possível ser feliz
verdadeiramente.</p>



<p>Decerto,
Handanga não se limite a estimular saudade e incentivar o regresso a terra.
Sendo um artista conhecedor da realidade política do país e a situação
deplorável por que passavam muitos angolanos, recorre à música e encontra nesta
um meio fecundo para consciencializar e, ao mesmo tempo, denunciar a crise dos
direitos humanos, visto que, após o término da guerra, o governo escusou-se de
servir o povo, negando-lhe o necessário para viver e frustrando aqueles que se
dedicaram à pátria. </p>



<p>Três
das suas músicas corroboram com a ideia anterior, a saber: “Ndikalume” e
“Vatekateka” e “Kolofeka”. A primeira, cantada num estilo mais relaxante,
retrata a vida de um homem que, diante das vicissitudes da vida, se sente
desprezado e humilhado por estar privados dos seus direitos fundamentais no seu
próprio país para o qual contribui, por um lado; por outro lado, por estar
abandonado pela sua família à qual amou e dedicou a vida toda. O personagem da
música vive melancólico e, a lamentar, questiona a sua condição de homem
(macho). Diz, portanto, ser homenzinho, insignificante que, de tanto pobre, a
esposa divorciou-se dele, carregou os filhos e, por fim, acusou-o de
feiticeiro. Assim, num estilo profundo, o artista pranteia: <em>“Ndikalume we/ Ndikalume amãi we/ Ndikalume
we ndacitwile vohali”</em>. “Sou homenzinho (não sou macho) / Eu sou homenzinho,
minha mãe/ Homenzinho sou por ter nascido no sofrimento”. </p>



<p>Outrossim,
denuncia a injustiça social, cujo apanágio é exploração do homem pelo homem, em
que o povo trabalha árduo e tanto se esforça para sobreviver, mas, mesmo assim,
a riqueza concentra-se nas mãos da minoria, a que detém o poder político e
económico, tendo todos os privilégios, enquanto a maioria (o povo) sofre
vivendo de migalhas. Ainda diz que não teve o privilégio de estudar enquanto os
seus contemporâneos se formaram tendo alcançado uma vida equilibrada. E, pelas suas
competências, sem antropologia africana, conhecedor do folclore do povo
umbundu, recorre aos provérbios para passar a mensagem. Assim cantou: <em>“Tulosanji vyolomeke ño/ Tupayela ava valya/
Akulũ tupopisi ndoco tukalila mwele oco/”</em>: “Somos meras galinhas cegas/
Escarafunchamos comida para os outros/ Mais velhos falem por nós/ Se
continuaremos a sofrer”. </p>



<p>Já a
música “Ndatekateka”, a semelhança da anterior, representa os gritos de
angústia e desespero de um ex-militar que perdeu a mobilidade durante a guerra
e, em consequência disso, passa a vida a mendigar para sobreviver, como quem
nunca tivesse defendido o país. Enquanto os governantes ostentam luxo,
conduzindo viaturas top-de-gama, tendo acesso a viagens de primeira classe, com
direitos à alimentação saudável, saúde, casas luxuosas, aquele que um dia lutou
e perdeu a vida em combate consola-se, portanto, em pirangar. Por tais
impossibilidades, a vítima sentiu-se privada do direito de ser pai, na medida
em que reconhece, diante de Deus e dos homens, não ser justo um sofredor gerar
filho. Assim, verseja: <em>“OKucita akome
ndkusole/ Masi kacitava monda kusuku ekandu/ Ndaotala hale ohali/ Ukanene
ukwene kilu lyeve/ ame ndikuka/Ciñokela okulila”</em>. Traduzindo: “Eu também
amo ser pai/ Contudo, não devo/ É pecado diante de Deus/ Porque se sofres, não
deves trazer o outro a terra/ Portanto, isto dilacera-me, pois estou a
envelhecer sem descendente.”</p>



<p>Por
último, a música “Kolofeka” é uma reflexão antropológica e sociológica em que
estabelece a diferença entre a realidade de Angola e a doutras nações. Ousado e
inteligente, canta: “noutros países as crianças têm a honra de estar na escola
a estudar, mas em “Angola do sofrimento” as crianças passam o dia na lixeira a
recolher lixo, enquanto os pais colhem lenha e produzem carvão para vender
(…)”. E termina dizendo que os mais velhos choram e até sentem saudade do
regime colonial, porque o sofrimento é insuportável. Para não nos alongarmos no
discurso, vejamos estes versos: <em>“Kolofeka
viamalë omalã vatito/ Vasaayala kolosikola mãie/ Etu voNgola yongongo amãi we/
Omalã keyala okunolã ovinende/ Papai Upange Okatyaña olõi/ Okyoka akala
lokualandisa/ Akulũ valivela kaputo eh/ ekandu nye olohali valowa…”</em>. Aqui
subjaz a ideia segundo a qual no governo colonial os angolanos tinham uma vida
melhor em relação ao momento imediato ao cessar do conflito. Tal pensamento,
embora depreciativo, é justificável, porquanto é comum (e sabemos disso) vermos
crianças expostas a garimparem, na lixeira, resto de comida, vestuários,
brinquedos e outros objectos, que os seus pais não lhos podem comprar. Isso
constitui um atentado à saúde das crianças e violação aos seus direitos.</p>



<p>Todavia,
além da lamentação e do desabafo, também explora os versos de amor e
entretenimento. Tal é o exemplo das músicas “Paulina”, “Okambela”, “Olonamba”
só para citar algumas. Decerto, o músico, imbuído num espírito crítico, concebe
uma música ecléctica, em que se cruzam vários ritmos e mensagens de diversas
índoles. </p>



<p>Portanto,
a música do artista que nos propusemos abordar é rica em diversos ângulos da
arte e cultura. Ritmo próprio, voz única e letras de caris antropológico
africano e, concomitantemente, de intervenção social muito forte. Analisadas
sob o ponto de vista dos textos literários, as suas composições musicais cumprem
com os pressupostos básicos da poesia: linguagem conotativa, expressividade,
ritmo e melodia, o que o torna cantor-poeta. Handanga, mais do que músico e
exímio intérprete, também foi (e ainda é) defensor dos direitos humanos.</p>
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