Falar de fotografia é recontar a história humana desde o momento em que essa começou a ser retratada. No entanto, é actualmente uma outra forma de contar a história, sem nos servirmos do recurso da palavra. É uma forma de mostrar o que vemos, as coisas, e a mais próxima de mostrar como as vemos. Capturar os momentos que nos são importantes é o processo. O olhar diz tudo. Afinal, tudo é uma questão de perspectiva, de ângulo, tal como um 9 e um 6.

Dentre os muitos géneros e formas de contar histórias, prefiro a fotografia urbana, através da qual posso ver as histórias das cidades, posso rever no tempo a intemporalidade. Gosto do facto de se tentar capturar as almas das cidades, a vivência, os hábitos e os costumes, características íntimas de um povo, rituais e cultura, paisagens, traços genéticos, expressões faciais e tudo resto que as acompanha. Gosto do facto de fotografarmos tudo aquilo que nos influencia como artistas urbanos. Gosto, também, da incrível capacidade de alguns fotógrafos conseguirem tirar o que está na mente e mostrar-nos, isso quando falamos da fotografia artística. Gosto ainda mais de humanos e suas histórias, apesar disso não faço retratos e não costumo fotografar pessoas como objecto principal.

A fotografia desperta-nos a curiosidade, o desejo de passear e procurar lugares e, quiçá, de fugir à rotina. Dá-nos novas influências, desperta-nos novas ideias. Constitui um instrumento de interacção entre as pessoas e é um grande agente propagador de turismo. Ajuda-nos também a desenvolver determinadas capacidades cognitivas, a ser mais atentos e disciplinados.

A cores ou a preto e branco, capturar um momento a filme ou a analógica é compartilhar experiências, alegrias, infortúnios, acontecimentos históricos, paisagens, costumes, desportos. Fotografar é, em si, uma manifestação artística para capturar a arte que é viver.