Eliane Lima é uma artista plástica angolana radicada em França, que esteve a fazer a sua primeira exposição em território nacional, no passado dia 14 de Setembro, no restaurante & lounge Art’z.

A exposição chamou a atenção do público, primeiramente, pela ousadia da temática que, nas palavras da própria artista, era uma colectânea de quadros “intrigantes e caprichosos” que envolviam uma simbiose entre o corpo da mulher e a natureza.

A exposição dividiu-se, basicamente, em dois períodos: Apresentação da artista e do conceito que conectava os quatros; e um momento de parceria artísticas em que músicos ambientaram o local enquanto o público apreciava as obras.

Já no primeiro período, a artista surpreendeu seu público com uma apresentação de si e da exposição que endossaram a consciência crítica de quem se fez presente, facilitando a contemplação das várias camadas de informação que as obras sugeriam.

As obras tinham, como ênfase, a emancipação da diversidade da beleza da mulher negra. Porém, uma beleza não estereotipada e completamente à margem das etiquetas que costumam ser evidenciadas quando se trata da mulher negra.

Uma das etiquetas que foi redefinida é aquela que associa o belo do corpo feminino ao sex appeal. A artista utilizou-se de um paradoxo que consistia no facto de ter construído as suas obras a partir do conceito do nu-artístico, para devolver à mulher a imagem de uma beleza física além dos desejos libidinosos. Trazendo, assim, à consciência do seu público um retorno ao ideal renascentista do corpo humano.

A natureza em volta da mulher teve um papel preponderante nas obras, porque cimentou a ideia de que o belo é natural e pode ser expresso dentro da própria diversidade da natureza.

A artista recorreu a uma técnica de despersonificação das obras, não atribuindo a elas um rosto, de formas a permitir que cada pessoa pudesse identificar-se com um ou vários quadros.

A Eliane Lima sai bem-sucedida da missão de contribuir para uma alternativa estética no panorama nacional, no que diz respeito à essência do belo.