O céu está pesado, contrariando aquela bela imagem dum rosto amarelo como sol, sorrindo para todos, como nas séries de desenhos animados.

Estou sentado num destes bancos públicos, feito de cimento, olhando tão descontraidamente para o mar, uma gota do Oceano Atlântico.

Os carros estão a passar pela estrada, atrás de mim ouço buzinas e o som do chiar  entre asfalto e pneus, sempre que um automobilista trava.

Há construções intermináveis por aqui, como é o caso  dum edifício quase à moda dos pulas, devido à sua altura. Não se deixa de notar, claramente, algumas paredes laranjas com ligeiras barras brancas, um sítio onde, com mínimas dúvidas, estão algumas das pessoas menos confiáveis dum estado, os bancários.

Neste pedaço de terra, quase que não se vê areia. Há até uma faixa vermelha para bicicletas, e eu aqui a pensar que era para que todos pudéssemos nos sentir importantes, passando por ela. Estando aqui é quase que impossível de se crer que existam bairros de latas infiltrados entre os edifícios.

Voltando a atenção ao meu assento, de onde estou a pensar em voz alta, surge-me uma onda de percepções interessantes, por acaso: 

Mas gente bonita não lê? Neste sítio, bonito como é, não me lembro ter visto gente lendo. É um lugar bonito, com gente bonita, mas é como se gente bonita não lesse. Nem os bonitos do sexo masculino nem as bonitas do sexo feminino. Até parece que ler é coisa de gente feia.

Quem definiu padrões para beleza? Há muitos franceses a utilizar calças acima dos tornozelos, como se fosse importante exibir suas meias, considerou um livro para o sovaco, contando que o outro braço segure a bengala. Acabei de me lembrar de Charles Chaplin, só para constar.

Alguns cientistas dirão que, geralmente, são os menos bonitos que se saem bem em questões de academia, são os feios que se tornam presidentes, matemáticos, escritores e mais algumas coisas, ao passo que gente bonita se torna apresentador de televisão, modelos, cantores e mais… 

Obviamente, não há ciência neste texto e os menos bonitos já devem ter percebido.