Protagonizou-se, no dia 8 de Julho, um dos marcos mais importantes de 2017 no que diz respeito à agenda cultural nacional. Foi nesta data que Angola se estreou na lista de países com zonas declaradas “Património da Humanidade” por meio da distinção, mais do que merecida, de Mbanza Congo.

Da entrada do processo de candidatura à declaração, passou-se uma odisseia de 10 anos, sendo que 2007 é tido como o ano no qual se deu início a essa jornada. O ponto decisivo para que a jornada fosse efectivada com sucesso foi a classificação de Mbanza Congo como património cultural nacional, no dia 10 de Julho de 2013.

A etiqueta do processo era “ Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar”, o que indica que a declaração como Património da Humanidade é só o começo de um propósito muito mais profundo que consiste na procura de dados científicos a respeito da organização do antigo Reino do Congo.

Até agora, a zona circunscrita como Património da Humanidade abrange um morro de 570 metros de altitude onde as escavações arqueológicas já começaram a surtir efeitos tímidos. Há, por exemplo, as escavações de Tadi Ya Bukukua onde há indícios de dados que sugerem vestígios do antigo palácio real do antigo reino.

Dentro dessa dinâmica de eventos, governo angolano encontra-se com grandes desafios em que o mais evidente é a criação e dinamização de infra-estruturas e pessoal qualificado para recepcionar eventuais pesquisadores e turistas.

Há também a necessidade de se desenvolver uma acção de política externa que permita unir esforços com os outros países que partilham o mesmo legado histórico do antigo Reino do Congo, nomeadamente a República Democrática do Congo, Gabão e Congo Brazzaville.

A IMPORTÂNCIA DO ANTIGO REINO DO CONGO

O Reino do Congo é uma das peças fundamentais para que o homem moderno possa entender a história pré-colonial africana. Sendo um espaço de uma cultura, economia e política muito forte, os vestígios de sua influência são claros até hoje em todo o continente.

Porém, pouco esforço foi feito no sentido de restaurar a organização social adoptado pelos mais variados reis que passaram por lá. Entender o antigo Reino do Congo é devolver à humanidade todo o legado que esta cultura deixou. Compreender as vivências africanas pré-coloniais permitir-nos-á lançar dados importantes à mesa, para a desmistificação da ideia de “descoberta de África”.