Tem-se dito por aí, nos cantos que agora, além de ouvidos, têm boca e júizo, que os tempos actuais não são de fazer coisas ilegais às escondidas, dar e receber gasosa, que tudo e todos se lhes apanham. Ordens superiores!

Este ano, 2019, vai ficar na história ou escrita pelo MPLA ou por historiadores como o ano em que um não-Baptista anunciou a chegada da salvação para o povo… especial, denominação dada pelo antigo testamento escrito pelo José – tenho apenas pena dos meus netos que correm o risco de não terem acesso à história escrita pelos historiadores.

Mas estou com medo, porque, em 2016, MCK já dizia cantando que esse ano era dois mil e escassez. E pensávamos que tínhamos chegado a um ponto recorde de decadência, a um limite, que não podia ser ultrapassado. Mas estávamos tão habituados com migalhas, encostados ao canto do país pelo medo da opressão do José, que saliva nos alimentava e nos matava a sede e aguentámos a escassez, compaheira da crise. E 2019? MCK, qual é a ideia? Dois mil e dezIVA? Não sou tão bom quanto tu, K. A verdade é que saliva já não mata fome nem sede, porque também cobra IVA: salIVA. Quase morri quando, fruto de investigações, descobri isso. O IVA sempre esteve connosco. O problema é que não lhe permitiam a entrada no país pelo José. Do mesmo jeito que o Zé barrou a luta contra o nepotismo e branquiamento de capitais, negou a entrada do IVA. Porém, no seu tempo, existiam económica e financeiramente mais condições para a sua implementação, pois, por mais que houvesse estas especulações, seria mais fácil suportar, por exemplo, a subida especulativa do preço dos produtos da cesta básica, porque dólar entrava no país via petróleo que nem congolês via biolo, que com dez mil kwanzas tínhamos uma nota de 100 dólar. Hoje, em dois mil e dezIVA, há quem não tenha um salário de 100 dólares, quando, há cinco anos, ganhava o equivalente a 500 USD.

Voltando à salIVA, hoje, no tempo em que IVA manda, vinga-se do povo que culpa nenhuma tem da sua entrada tardia no biolo chamado Angola. Antes ter saliva era fácil, hoje pecisa-se de água, esta disparou. Os que não bebiam água, com cerveja, conseguiam a sua saliva, porém está mais cara que a água. Da gasosa, já nem falo. Mas vou falar memo: agora que com gasosa já não se pode subornar, agora estão a queixar, a Refriango, a Coca-Cola e companhia viram-se obrigadas a aumentar os preços, sem ainda nada a ver com IVA. Mas juntando o IVA, uma coca-cola está 300 a 350 AKZ! Preservo a minha saúde e o meu bolso, e bebo água… fervida, porque, pelo menos, o gás não acompahou o game.

E o Natal? Sinceramente, haverá Natal? Nos últimos dois anos, já foi a arrastar e só aconteceu por misericórdia do aniversariante. E no ano em que o Presidente da República tem de nome IVA? Vão mesmo se esburrachar de álcool no dia em que se diz ser da família? A cerveja atingiu um preço recorde: 5000 AKZ por grade, pelo menos, 200, a 250 AKZ por cerveja! Quem fica bêbado é rico, se não for rico, é gatuno de cerveja, ou é bruxo. Com que trigo vai se fazer bolo? Coitadas as crianças de 2000 que nem lamber o resto de massa vão poder. Vendem-nos, pelo menos, o joio, porque onde iremos parar com o preço de 500 a 800 AKZ por quilo de trigo? Ainda só estou a falar das ordens do IVA, pois o Natal também tem as suas manias de especulação de preços. É assim desde que Angola é Angola, desde que nos livraram de uma prisão para outra. E o bacalhau? Há quem não coma bacalhau há vários natais. A que preço está e estará o peixe seco mais caro do mundo? Ou será apenas no país do biolo? Mas a que preço? Não comê-lo já não será novidade para o povo. A novidade infeliz será que nem com os produtos da cesta básica será fácil ter um arroz ou até um bom funge – o nosso funge! – à mesa do Natal. Quanto mais um bacalhau – ai, bacalhau com natéee, nem o binócolo me serve mais para te ver!

Porém, todavia, entretanto e outras adversativas, espero que o Natal e as suas manias tenham pena do povo especial e não acrescentem mais problemas nos já existentes, pelo menos, neste ano. Deixem que este ano seja apenas do IVA. Pois, se assim não for, desculpem-me, teremos mais um Natal adiado por ordens superiores. Ou já está adiado?

PÓS-TÍTULO: DOIS MIL E DEZiva – a versão real do ano 2019