O entendimento dos mais diversificados estilos artísticos é uma ferramenta que nos impulsiona à compreensão da nossa multiplicidade como espécie, em que uma mesma realidade é percepcionada com indumentárias diferentes e cada fragmento da mesma ganha prioridade e, por consequência, vida. Essa é, claramente, uma marca indelével da criatividade humana. É nesse panorama que trazemos à luz da nossa reflexão o abstraccionismo.

O Abstraccionismo ou arte abstracta, como é comummente designada, é um estilo artístico moderno que prioriza as subjectividades, ou seja, é um estilo que não prioriza a representação da realidade tal como ela se apresenta aos sentidos. Opondo-se ao legado da arte da Renascença, que consistia numa representação fidedigna da realidade, esse estilo coloca-se numa posição de busca de uma representação mais poética.

É citado Kandinsky, como o pai da Arte Abstracta, a partir da obra “Primeira Aquarela Abstracta”. A construção dessa linguagem teve como origem a vanguarda de artistas europeus do século XX que aspiravam uma nova estética que representasse novos valores culturais em concordância com os descobrimentos das mais variadas zonas do saber na época. A teoria do Inconsciente de Sigmund Freud, por exemplo, foi bastante reveladora para idealização das obras nessa linhagem.

Foi por meio dessa linguagem que emergiram movimentos como o cubismo, dadaísmo, o futurismo e o surrealismo. Não obstante o abstraccionismo entrar para história da arte no século XX, na vanguarda europeia, a arte abstracta já era presente desde a pré-história e em várias partes do mundo.

J’aime la couleur

Contextualizando em África, onde a arte sempre teve uma componente transcendental bem patente, essa linguagem pode ser identificada na escultura, mais especificamente, em máscaras sagradas ou em peças como o caso do Cucu ou Samanhonga, vulgarmente chamada Pensador.

Pode-se, portanto, especular uma tese que repagine o fazer artístico africano em paralelo com o que foi feito na Europa. Pois, apesar de as motivações artísticas, entre os dois espaços, terem sido diferentes e até mesmo divergentes, há muitas similaridades a nível de da linguagem e do objecto de representação.