O homem artista angolano alargou, lato sensu, os movimentos, acreditando que este era o método correcto para partilhar o conhecimento das artes com os outros homens e mulheres do território. Com a mesma força das lutas e das suas megalomanias, os movimentos foram ganhando os seus temporais espaços que, outrora, a esmo, se arquitectaram para todos. Então, aquele homem via-se obrigado a repensar o destino, a escolher a dedo e unha os seus fiéis escravos e a constituir, desse modo, as elites; as elites não são os movimentos, são os homens, no sonho do poder e do controlo, a promoverem-se a si mesmos e os tais. Convém vocês, iluminados desta era tecnológica, teóricos, críticos, editores, autores, analistas, os politicamente correctos, estudiosos e sensitivos seres mortais saberem, de uma vez por todas, que os piores nem são os homens de palco, os pioneiros, pois, vejamos: os endinheirados ou os de corte e costura viram nos movimentos o “sucesso” para a expansão das suas inglórias lutas de quarto de banho. Dividir para melhor reinar. Sempre foi assim! Entretanto, com este novo livro, abriu-se o poema do ego e da vaidade. Já não era sobre o discurso de escuros e mulatos, embora tivesse alguma influência no seio dos intelectuais dessa e daquela época.

Nem era um problema dessa geração, repito, o fulano escritor consagrado, o qual gostam alguns e poucos, não falar com o outro fulano escritor consagrado da sua época por “egos e vaidades”. Sim, os egos, as vaidades, os plágios, os judeus, os cristos arranjados, existem há séculos neste movimento literário, aliás, artístico angolano. Vão ligar-me a dizer que não sei do que falo. Que seja!

Os movimentos têm máscaras. Têm lutas e não são para perfis desorientados. O homem literário-artista angolano já não tem nenhuma bússola moral, tão-pouco sonhos. Tem interesses artísticos de poder, de mania e, sobretudo, de política. Os movimentos, alguns poucos, são verdadeiras escolas públicas. Que esse público seja o mais humilde, o mais dedicado, o mais ciente da luta e o mais humano acima de tudo. Eu fui e sou, em grande escala, educado artisticamente por um movimento de operários, de jovens sonhadores e com menos ego. Fez, no momento certo, a velha de panos caídos levantar-se e dizer que os jovens são realmente a força motriz de uma nação que se quer bem constituída.

Isso não é fruto de egos ou de manias, é preciso reconhecer, apesar dos ateus no corpo do caminho, certo? O compromisso com a causa única, e, hoje os (e)feitos são notórios. Jovens-miúdos a trilharem o caminho da crítica literária, teatral… fruto de coesão e coerência. Quando vos digo coesão, refiro-me à união, mas não é de modo interno, e sim, sobretudo, manter o círculo com a mão de TODOS!

Algumas coisas precisam ser bem definidas. Primeiro, os movimentos não são exclusividades e não são para todos. Segundo, é preciso despertar os grupinhos, vulgo pequenas burguesias, e dizer com força que a elite se faz com egos desnecessários. É nesta parte em que o leitor iluminado diz: «esse aí se perdeu». E mostro-vos como:

A união da União parece muito estável, pelo menos, neste momento. Os jovens escritores são todos amigos e lidam muito bem entre si e com a geração anterior. As nossas editoras, que temos aos montes, são fortemente reconhecidas e lançam obras cujo cuidado é admissível internacionalmente; aumentámos o número de fábricas de papel e, por conseguinte, os livros aqui são mais baratos em comparação com outros países; os nossos críticos são autenticados pela sua imparcialidade e no seu forte compromisso com a verdade literária; os nossos poetas já não ficam só pela tela dos seus egos, têm mais cuidado, lêem mais e plagiam muito pouco, quase nada; a nossa prosa melhorou significativamente, já não ficamos só pelo discurso das guerras, transcendemos, e isso é deveras notável; temos mais concursos literários, a caminho de uma centena, e os júris de tais concursos inspiram confiança e mostram comprometimento; a literatura infantil já é muito mais valorizada; o Ministério da Cultura Turismo e Ambiente tem, do Orçamento de Estado, uma atenção especialíssima, pois viu-se nela forte poder para o desenvolvimento da nossa economia; o escritor hoje é um profissional de reconhecimento educacional, as nossas escolas têm falado sobre os autores nacionais, e somos referências na literatura continental. Portanto, por causa destes e doutros (e)feitos, bem-haja o nosso trabalho.  Viva a cultura, viva a nação e viva o caminho do meio. Amém!