Numa era de consumo desmedido, de luta contra o tempo, de pouco espaço para contemplações, a arte ainda é necessária. A prova disso, encontramos em pincéis, colas e telas que, mais especificamente, em 1950, na Inglaterra e em 1960, nos EUA, reuniram-se em forma de Movimento para enquadrar os artistas nos padrões capitalistas.

O crítico britânico Lawrence Alloway baptizou este movimento de Pop Art. Esse movimento artístico trazia como base a incompatibilidade da arte mais conceitual com a vida do homem moderno – aquele que mal tem tempo para jantar em família, não terá, certamente, tempo para desvendar uma mensagem mais complexa de uma obra de arte.

Como resposta a essa situação, os adeptos desses estilos apontavam para um caminho apelativo, aliando-se à publicidade e a uma coloração chamativa, uma linguagem que muitos críticos poderiam, facilmente, aliar ao conceito de fastfood. No entanto, fazendo uma análise despida da busca do Graal estético, compreende-se que, doutro modo, os artistas estariam, praticamente, excluídos da vida económica. Assim se forma um paradoxo interessante. Se, por um lado, os críticos e a sociedade em geral apreciam a nobreza daquela arte reveladora dos mundos insondáveis da expressão da alma humana e afins, por outro lado, vemos um homem completamente à margem desses valores, dando a impressão que a sociedade quer ver os artistas numa vitrina, sem porta que permita o acesso às suas obras. E os artistas, morrem de fome? Aparentemente, sim. Mas morrem na condição de potentia génios – génios em potêncial –, porque a sociedade valoriza mais o artista mártir que teve uma existência horrenda, mas conseguiu, ainda assim, criar uma coisa de valor. Mesmo que depois ninguém se importar em dar os devidos louros ao artista, o que importa mesmo é colocar o seu nome no panteão dos mártires, ou numa calçada da fama qualquer.

Não aceitando o Pop Art, estaríamos a renegar os valores com que redigimos nossas vidas.