Feliz é o dia do nascimento de alguém. Mais feliz ainda o é quando acompanhamos o seu percurso de vida, testemunhando as suas reais batalhas, os momentos de agrura e os seus feitos heróicos.

Nos recuados anos de 2012, num percurso que nos levava ao CEFOJOR – Centro deFormação de Jornalistas – na primeira Conferência do Movimento Lev’Arte, sobreLiteratura, intitulada “Mais Literatura, Mais Desenvolvimento Intelectual”, já acompanhávamos os passos seguros daquele que viria a ser o Movimento Litteragris. Porém, não vislumbrávamos o que aqueles menininhos, ávidos por conhecimento, naquela altura não agregados como associação de estudantes,aprontavam. Eles na linha da frente, e nós nas alas, em paralelo, mordidos de curiosidade, a observar de soslaio.

Ventos da História!

Eu via o Waxyakulo Francisco, pseudónimo literário de Fernando da Costa Francisco, membro do Litteragris, tão pequeno, mas já se entronizava em assuntos de gigantes, como Literatura. Quando ele falasse, vibrava, pelos pensamentos que lhe ocorriam em flecha, manifestando a sua capacidade de menino arguente. Parecia que arrastava toda a ordem cósmica ao seu favor, só com a força dos seus argumentos, capazes de serem submetidos à experimentação e se comprovarem as hipóteses que levantava.

Cíntia Gonçalves, única menina no grupo, naquela altura, era outro nome sonante entre aqueles que seriam o que são hoje, Litteragris. Orientados por Hélder Simbad, eles poderiam andar em magote numeroso, pois os três nunca se separavam, e sempre barulhentos pelos seus assuntos relacionados à escrita, escritores, e à própria vida objectiva. Os catraios, juntos, traziam-nos à memória os jovens da Casa dos Estudantes do Império, onde, à testa, tinham António Jacinto, alternado por António Cardoso e António Agostinho Neto, como coordenador. Esta imagem permanece, deveras, na minha mente, como uma ferida fresca.

Francamente, a sexta-feira finda, 19 de Outubro do corrente ano, foi um rubro sobre rosa, tudo por ocasião de mais uma velinha apagada pelo Movimento Litteragis, agremiação artístico-literária com pendor de academia, que foi fundada no dia 15 de Outubro de 2015, congregando, no seu seio, até a data da publicação da sua mais recente revista, 34 membros, com as idades compreendidas entre os 23 e os 36 anos.

Apesar do curto espaço de tempo da sua existência, três periódicos do círculo destes rapazes já circulam em solo literário angolano e afora, sendo conhecidos pelos títulos Ágris Magazine (2015), Tunda Vala (2016), e, o terceiro, ao nome designativo do segundo, acresceu-se somente uma epígrafe, Agristética (2018), isto é, sem falarmos a respeito das publicações individuais dos membros.

Quanto ao aniversário, decorrido no Salão Nobre da União dos Escritores Angolanos, numa tarde amena até ao anoitecer, um dos momentos mais altos que tivemos foi-nos brindado pela presença honrosa do mestre Lopito Feijóo, como é carinhosamente tratado o escritor autor da mais nova obra poética “Doutrinarias Lâminas Doutrinárias” (2018), que esteve acompanhado pela sua esposa, Aminata Goubel, também conhecida por Mamã África. Feitas as honras de casa, ambos declamaram um poema cada, para o público massivo ali presente. Notou-se ainda a presença quantitativa dos convidados, entre os quais, amigos e familiares dos membros do Litteragris.

Num ambiente festivo, com palco aberto para música jazz, desfilaram Sílvia Nanguli, Esaú Baptista, Obadias Correia, Nzambi Paulo, Carlos Praia, Vocal Forasteiro e Vocal Misto. Entretanto, a boa poesia dita também esteve ao lado e ouvimo-la nas vozes de Alfredina Ventura, Gino Sacra, Lídia e Universo Mavambo. A Organização do evento esteve a cargo do movimento anfitrião e do Lucengomono Companhia d’Arte.