Mauro Sérgio, fotógrafo angolano, de 28 anos de idade, autodidacta no ramo da fotografia, marca os primeiros passos significativos na fotografia entre 2012 e 2015, fazendo fotos a partir do seu telemóvel e, posteriormente, postando na sua conta do Instagram. A paixão pela fotografia levou-o a apostar num trabalho artístico mais profissional. Adquiriu, assim, uma máquina fotográfica DSLR Cannon 70D e, desde então, tem viajado por diversas comunidades no país, contando as suas histórias através de retratos fotográficos. A paixão e a entrega levaram-no a ser convidado para fazer parte de um projecto de expedição científica no território do Okavango, denominado “Into the Okavango”, tornando-se deste modo um dos protagonistas de um dos eventos mais prestigiados no universo fotográfico nacional. Sua função era registar as fotografias ilustrativas do projecto.

Palavra&Arte:Como se estabelece o contacto entre a National Geographic e o Mauro Sérgio?

Mauro Sérgio: Tudo aconteceu graças a Adjany Costa que decidiu convidar-me quando liguei pra ela a pedir umas informações sobre um workshop em que seria um dos oradores. Durante a conversa, ela aproveitou pra dizer que havia visto algumas fotos minhas no Facebook e queria saber da minha disponibilidade, ao que eu dei um grande berro e depois, calmamente, disse que sim.

A bacia do rio Okavango é a maior área húmida de água doce do sul da África e a principal fonte de água para um milhão de pessoas. O seu delta, localizado no norte do Botswana, é um dos lugares mais ricos da África para a biodiversidade, e abriga a maior população de elefantes remanescente do mundo, além de leões, guepardos, cachorros selvagens e centenas de espécies de aves. Mas o futuro do delta é incerto. A sua saúde está ligada à dos rios que se originam em Angola, depois convergem e fluem através da Namíbia para o Botswana. Esses rios são vitais para o futuro da região.

A National Geographic classifica o trabalho como sendo a pesquisa da biodiversidade e o impacto que aquela bacia hidrográfica tem na vida da população, resumidamente. Como é que encarou o trabalho enquanto artista das lentes?

Eu levei mais numa vertente desportiva. Em nenhum momento senti alguma pressão que pudesse interferir no meu trabalho. Tendo em conta a energia que a equipa passava, parecia mais um campo de férias. Todo mundo alegre e bem-disposto 24/24. Dessa forma, eu dormia e acordava com vontade de dar o meu máximo!

Antes eu queria apenas mostrar lugares bonitos e pessoas interessantes. Depois da expedição, passei a contar as histórias das pessoas e dos locais que visito

Qual foi o impacto que o projecto teve a nível do teu trabalho? Conhecendo a tua proposta de trabalho que é sempre movida para a imersão no interior de Angola, o que lhe move a ter tal postura?

Este projecto fez-me mudar a forma como encarava a fotografia. Antes eu queria apenas mostrar lugares bonitos e pessoas interessantes. Depois da expedição, passei a contar as histórias das pessoas e dos locais que visito. Eu tenho uma necessidade e já não chamo de vontade ou interesse de dizer que eu conheço o meu país e quero motivar as outras pessoas a fazerem o mesmo. Temos um país que ainda esconde muitos cantos. Eu vejo isso como a minha chance de ser ou me sentir um descobridor da nossa terra.

Temos um país que ainda esconde muitos cantos. Eu vejo isso como a minha chance de ser ou me sentir um descobridor da nossa terra.

Desde 2015, o Dr. Steve Boyes, do National Geographic Explorer e uma equipe interdisciplinar, incluindo cientistas angolanos, namibianos e sul-africanos, começaram a trabalhar juntos para explorar e proteger os rios em Angola. Através de uma série de expedições únicas em base de bicicleta de canoa e montanha nas partes menos conhecidas e inacessíveis da bacia hidrográfica no sudeste da Angola, foram pesquisando as fontes dos sistemas fluviais e coletando dados para ajudar a informar estratégias para protegê-los.

Tendo essas experiências de proximidade com a terra, com a população, o que acha que falta para que os artistas se inspirem mais no modo de vida nacional e menos no modo de vida estrangeiro?

Acredito que tudo isso passe mais por conhecermos a nossa terra. Muitos acabam seguindo o modo de vida estrangeiro, porque acabam tendo mais contacto com o universo internacional. Poderia talvez criar algumas teorias acerca deste fenómeno, mas prefiro dizer que algumas pessoas não percebem a magia que Angola esconde e abertura de novos horizontes quando saímos das capitais e visitamos as localidades adjacentes.

Em que pé está a sua parceria com a NatGeo? Há possibilidades de novos trabalhos?

Espero que sim… Já vou na minha segunda expedição e espero que não pare por aqui.

Com que trabalhos tem-se ocupado?

Tenho estado muito virado em “fashion photography” e fotografias publicitárias.

E projectos futuros?

Está por vir a Horus Media! Por agora é o que posso dizer.