O trabalho outrora feito pela Rádio Nacional de Angola (RNA), que exibia a telenovela Kamatondo, às 05h00 da manhã, é actualmente realizado pela Rádio Viana, emitido na frequência da 92.8 FM, aos domingos no programa “Domingo na 92, às 10h00, em parceria com o Grupo Teatral Horizonte Esperança, a convite da Sra. Luísa Sampaio.

Procuramos adjectivos próprios para caracterizar esta tipologia de trabalho que o grupo citado vem fazendo na Grelha radiofónica vianensa. Ocorreu-nos Teatro Auditivo. Pensámos nós: Teatro é a Arte de representar os temas da vida social. Logo, Teatro Auditivo é a Arte de representar os temas da vida social a ouvintes-plateias. A este tipo de Teatro, a professora norte americana e fundadora do Teatro de Improvisação Viola Spolim designou-o por Teatro dos Ouvidos. Ainda neste fio lógico, acreditamos que esta iniciativa tem uma única mira, à Educação Cultural, mostrando, assim, as verdades e as concepções da arte no intuito de existir uma harmonia recíproca entre os ouvintes-plateias e o talento, pois estes dois elementos são os que fazem a civilização. Machado de Assis, na sua Obra Críticas Teatrais, afirma claramente que o Teatro é para o Povo. Quando abrimos os nossos quadros mentais, verdades tocam-nos de que o teatro é a forma mais produtiva com que conta a sociedade numa marcha de progresso cultural ascendente. Já William Shakespeare deixou evidente, no seu Diário, de que o Teatro é a Escola para o Povo.
Actualmente, o rádio é um meio de comunicação universal, pois deu um salto até aos satélites, de formas a imprimir a sua marca numa quarta parte do Globo Terrestre. O rádio criou um mundo de facilidade para aqueles que não sabem ler e ajuda a manter contacto com os que não podem ver. Tratando-se de um meio cego, por esta razão, estimula a imaginação dos ouvintes-plateias e lhes é exigido uma dose de capacidade avançada.

Nesta mesma linha de pensamento, o Teatro Auditivo cria, na mente de quem ouve, as figuras dos personagens, do cenário dramático, das atitudes, dos comportamentos e das emoções. Tudo isso, pela mestria do dramaturgo, responsável pela criatividade em narrar os factos sociais de forma cénica. E, neste âmbito, há toda uma necessidade de que o dramaturgo tenha o conhecimento de erudição, tratando-se da semiologia/semiótica. Por um lado, não descuramos o facto de que todos os quadros mentais, aqueles que os ouvintes-plateias terão de criar, deve-se ao árduo trabalho do dramaturgo e do elenco de actores. Até porque neste tipo de Teatro, os actores não se apoderam da gestualidade, muito menos da expressão facial por se tratar de uma apelação directa à interpretação dos eventos factuais. Porém, a mestria do dramaturgo na escolha das palavras deve-se a designação de literato.

É importante notar que os pesquisadores de audiência falam de parcela e Alcance.
Parcela de audiência é o tempo gasto ouvindo uma determinada emissora, expressa em percentagem da audiência total da Rádio nesta área.

Alcance de audiência é o número de pessoas que, de facto, ouvem alguma coisa da emissora num dia ou numa semana, expresso como percentagem da população total que poderia estar a ouvir. Ambas as cifras são importantes. E se tratando do Teatro Auditivo em Angola, precisa-se de critérios de críticas e sugestões para fazer este embrião dar frutos excelentes. De salientar que o trabalho que o Grupo Teatral Horizonte Esperança vem fazendo diverge, parcialmente, do Kamatondo pelo seguinte detalhe: aquele era uma rádio novela, havia uma sequência em termos de episódios por ser de novela. Ao passo que, no actual trabalho do Grupo Teatral Horizonte Esperança, os temas são diversos e não há uma sequência episódica, que quer dizer diferença no tratamento dos factos, tendo em vista a sua relevância.
Portanto, a rádio fala para cada indivíduo, para milhões, não tem fronteiras, ensina, surpreende e forma a sociedade. A rádio funciona bem no mundo das ideias.

In A Rádio e o Teatro Angolano – Uma Nova Estrada para o Grupo Teatral Horizonte Esperança