Desde os tempos mais remotos, a história da humanidade é marcada por ditadores e ditaduras. Adolf Hitler, o Fuhrer do Terceiro Reich, é lembrado como um dos maiores ditadores do século XX. Embora haja controvérsias, existem diversas estimativas sobre o número total de mortos na segunda guerra mundial propagado por Hitler, que ronda, minimamente, aos 40 milhões de mortos. Os historiadores são unânimes ao apontarem que, deste número, aproximadamente, 6 milhões de mortos seriam judeus, vítimas de uma perseguição perpetrada de forma implacável durante os holocaustos antissemita — ódio contra os judeus, povo este caracterizado por Hitler como uma raça inferior — em campos de concentração nazistas, dentre estes, no de maior destaque, o campo de Auschwitz.

A segunda guerra mundial é marcada não-somente pelo sentido bélico da palavra, pois, neste período, mentes brilhantes da humanidade estiveram em ambos os lados — do lado dos nazistas e do lado das forças ocidentais aliadas e do exército vermelho —, sendo que a criatividade, a inovação científica e biológica passaram a ser um factor sine qua non para se vencer pequenas batalhas e, até mesmo, a grande guerra. Estas invenções e descobertas revolucionaram a guerra e a forma de fazer guerra e ditaram o curso da mesma.

Já no final da Primeira Guerra Mundial, era visível os avanços tecnológicos: aviões irrompiam nas nuvens, fazendo chover bombas e pesadelos em diversas cidades; tanques de guerra galgavam milhas de chão e, com seus canhões potentes, bombardeavam alvos à longa distância; as metralhadoras iam sendo aperfeiçoadas ao ponto de dispararem enes balas em milésimos de segundos; os gases tóxico-venenosos passaram a ser mais letais e impossíveis de detectá-los. Com o advento da Segunda Guerra, tais invenções tornaram-se exponenciais, como foi, por exemplo, no uso desenvolvido do sistema de radares. Os radares possibilitaram uma maior precisão nos combates aéreos e bombardeamentos de cidades. Houve o surgimento e aperfeiçoamento da criptoanálise, esta que, associada a matemática avançada, teve grande destaque. Os nazistas e forças aliadas travaram verdadeiras batalhas tecnológicas para se apropriarem das informações criptografadas. Dessa mesma época, fala-se da Máquina Enigma usada pelos nazistas e do protótipo do computador, The Bomb, usado para decifrar a máquina dos nazistas, estando entre alguns dos inventos mais sofisticados do período da segunda Guerra. Nomes como de Alan Turing — um dos pioneiros da computação –, J. Robert Oppenheimer e Albert Einstein, físicos e percussores da bomba atómica, e tantos outros são destaques dessa época, que, embora de grandes avanços tecnológicos, é também uma das épocas mais sombrias da humanidade.

Telefone Vermelho de Adolfe Hitler

Nomes de ditadores como Adolf Hilter, a humanidade tenta apagar dos anais da história com inúmeros insucessos.  Volta e meia surgem, nas redes sociais e não só, grupos de simpatizantes das ideias nazistas — neonazistas —, estes que, de alguma forma, nos trazem à memória dias horripilantes dos quais lembramos com dor e luto. A notícia do relançamento do livro “Mein kampf — Minha luta”, a famosa bíblia do nazismo, escrita sob punho de Hitler em 1924, após setenta anos de proibição, trouxe, à tona, algumas controvérsias quer na sociedade quer na comunidade académica mundial.  E, como se não bastasse, é-nos noticiado a venda, em leilão, daquela que é considerada por muitos “a arma mais destrutiva da humanidade”, o Telefone Vermelho de Adolf Hitler.

O telefone vermelho de Hitler foi encontrado no seu bunker particular e é considerado, por ironia do destino, como uma arma destrutiva, pois é dele que partiram muitas das ordens directas de execução em massa de milhões de seres humanos. Calafrios transpassam-me a alma só de imaginar Adolf Hilter segregado nalgum lugar escabroso da antiga Alemanha nazista, cercado dos seus mais fiéis guarda-costas e, num ápice de extrema loucura, pegando no seu valioso telefone vermelho, sem dó nem compaixão, ordenando: “mate-os, mate-os todos! Quero-os mortos!”

O telefone Vermelho de Hitler foi comprado, em anonimato e por via telefónica, por um “admirador fanático e nazista” que, eventualmente, poderá transformar este agastado objecto numa relíquia de culto e sincretismo.  Das duas histórias sobre a invenção do telefone envolvendo Antonio Meucci e Graham Bell, é possível saber-se que o telefone foi criado numa tentativa de encurtar distâncias e tornar a comunicação mais fluída; na história de Hitler, o Telefone Vermelho encurtou, além das distâncias, vidas — milhões de vidas —, e presumo que, tenha sido deste mesmo telefone vermelho que Adolf Hitler tenha recebido o golpe mais doloroso em meio à eminência de guerra perdida:

— “meu Fuhrer, Berlin está totalmente cercada, perdemos a guerra!