“Só erra quem trabalha” – José Eduardo dos Santos, “Ex-Presidente de Angola”

A vírgula é um membro pequeno da família pontuação, que causa estragos na revisão linguística. Talvez seja a ideia que se tem sobre ela: por uma questão de hábito, a vírgula, a vírgula é quase sempre vista na perspectiva expressiva – marca uma pequena pausa.

Vale ressaltar que, a nível do texto, a vírgula desempenha uma função sintáctica. Para além disso, o uso da vírgula exige noções de matemática, para a sua efectiva distribuição na frase.

É sobre o sinal de pontuação, em particular a vírgula, que se fará a análise da Nota do Editor – Do Musseque aos Ministros -, na obra de José Luís de Mendonça – Se os Ministros morassem no musseque. A Nota do Editor é constituído por três parágrafos.

Parafraseando Jesus Maestro, não se analisa o mundo fora do mundo. Nesta senda, apresentamos  o trecho do primeiro parágrafo:

(…) Se os Ministros Morassem no Musseque de José Luís Mendonça, é um romance factual e actuante, que nos leva a cogitar a questão do Servidor e do Servido, ou seja, o “político e o Público” em Angola, onde se coloca em causa, a simpatia, empatia com o povo. Se o Ministro é aquele que serve, hoje; serve-se”(…). [SIC]

No excerto apresentado, verifica-se a separação do sujeito e com o predicado pela vírgula.

“Se os Ministros Morassem no Musseque de José Luís Mendonça, é um romance factual e actuante(…)”.

Este facto pode ser entendido por duas razões:

1.            Construção frásica complexa e longa.

Normalmente, as frases longas criam alguma dificuldade na pontuação. Sugere-se a construção de frases curtas para evitar má colocação da vírgula.

2.            A noção de pausa no momento da leitura.

Um dos problemas da pontuação, para algumas pessoas, reside na distinção entre as perspectivas expressiva e sintáctica dos sinais de pontuação. Para este caso, percebe-se que o Editor virgulou por causa da entoação.

Para Nota do Editor, a vírgula é uma questão de estética por olhar a perspectiva expressiva como forma ideal de se usar a vírgula.

Assim sendo, ao conhecedor de um código linguístico, pede-se a eficiência e eficácia na transposição do pensamento na escrita, isto é, usando os sinais de pontuação para clarificar as suas ideias.