Virgem na madrugada

Desacorrenta a fera
e insaciável fome lhe morde
o estômago do desejo
o dia é uma camisa de força
corpo é convento e mulher é freira
quando a lua é relógio e a noite
se abre em asas de cetim, ali já não estou
então as hábeis mãos se saciam
num movimento geométrico
às vezes rectangular às vezes triangular
tacteando a via-láctea clitoriana
e corpo é templo profanado e mulher
é sacerdotisa pagã
o convento é derrubado
cai refastelado na miséria da carne
a única religião é o prazer

Eivado o amor

Eivado o amor
quebram-se as asas do medo. estilhaçadas
no arpão. o amor é uma espingarda
tom destoado na pintura
consagrada de Da Vinci
E dali se conhece irreverência
peripécias seculares
teísmo nauseabundo
pela vida efervescente
eivado o amor
A vida acontece esquelética esperança
escancarada nas frestas
duma solidão qualquer
dum ser qualquer
algures pelos cronos

Mística dança

Mística dança em plena batalha
nas horas vagas de prazer
desperta o dragão adormecido
por umas tais pirâmides invertidas
louca (in)vestida de noite
desorienta o ponteiro
secular mente domina
o coração sacristão
atormentado por tais visões
vultos de um corpo sedento
no corredor da morte
《Reconheço-o》
Entre torres siameses brancas
e um triângulo vencido
são calamidades e imprecações
dominando o corpo e a noite
Não saírei vencedor desta investida

About The Author

cidadão angolano, nascido em Angola, na cidade de Luanda. Tem 24 anos, é estudante de Direito, é fotógrafo, cantor, poeta, prosador e Slammer. Foi coordenador e guionista de um grupo de teatro “VH” durante 5 anos. Como escritor, já participou directamente na produção de uma antologia poética (Elos no verso/¬Brasil-Angola-Guiné Bissau-Moçambique), tem crónicas publicadas no site de notícias “Enakela” e uma resenha na revista “Palavra&Arte”. É membro co-fundador do movimento artístico “Kwi'muza” e exerce a função de responsável pela idealização e concepção das actividades. É também membro do clube de leitura, “Livros são Portas” e fundador do clube de leitura com matriz africana, “Aldeia Sankhofa”. Como músico, é produtor e compositor, toca guitarra, mas ama essencialmente o estilo Rap; tem passagens pelos palcos da Baía, Kings Club (tendo realizado neste espaço um concerto), a Barraka.

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