“Paz, amor, saúde, dinheiro e todos aqueles mambos habituais ditos a outrem nessa altura do ano, pelo ano que se avizinha”. Dispara isso e, quanto ao quesito de “felicitações de final de ano”, está conversado. Na verdade, pouco importa os vários substantivos que venhas a dizer, pois são os mesmos que quase todo o mundo diz sem qualquer sentimento e, portanto, sem significado algum. Então, para quê os dizer?

Desejam isso, desejam aquilo, desejam tantos e tantos e sei lá mais o quê… mas é tudo só balelas! Quem deseja qualquer substantivo benevolente demonstra com menos palavras e mais acções, seja qual for o momento e em qualquer altura do ano. Não espera um dia ou dois para dizer quão bom é poder passar momentos memoráveis contigo ou simplesmente momentos. Se alguém disser algo como “Tu foste o melhor que me aconteceu nesse ano” ou “Nesse ano, tu fizeste parte de um dos momentos mais marcantes para mim”, se for verdade, tu saberás ou, pelo menos, sentirás, pois é algo que, de um modo ou doutro, resume algum momento do qual fizeste parte e, por isso, poderás sentir orgulho de ti mesmo.

Chega a dar repulsa ver pessoas que conservam, em si, alguma mágoa por algo que tenha acontecido ao longo da temporada de convívio e, por orgulho, egocentrismo ou outro sentimento parecido, não conseguem olhar nos olhos de quem magoaram, ou os magoou, para dizer o que pensam para juntos seguirem em frente, celebrando seja o que for que a vida esteja a presenteá-los. Porém, largam felicitações tão supérfluas que nem servem para o gatilho de um abraço sincero que deixaria afundar a mágoa com a mudança do calendário.

Pior que o supracitado é ver pessoas que não se dirigem uma palavra durante o ano inteiro – desde o começo da época, seguindo as eliminatórias até a final – e, quando está prestes a soar o apito do final da partida – que ainda bem que não tem prolongamento – ou depois disso, soltam, num sorriso cheio de tartufice, os votos de prosperidades envoltos num plástico mais frio que a parte externa do casaco de um esquimó. Tudo para mostrar a outros deuses terrestre, também adornados de bondades dissimuladas, que estão com o coração limpo e desejam, um ao outro, paz e amor.

Por mais que pareça insignificante, tudo de bom que fazemos, ao longo do ano, afecta a terceiros de um modo ou de outro e, quanto mais significativo for, mais pessoas haverá para reconhecer e dizer, sem esperar fazê-lo numa época em que quase todos procuram impingir a outrem carradas de substantivos caridosos que, na verdade, não deambulam pelas suas emoções, ou pior, nem sequer conhecem os seus verdadeiros significados.