mesmo quando não oro,
eu (aqui) ouro!
lamento canções de ética
no hospício dos meus dedos
lindo. amanhecer
desnudo as correntes do mar
cavalgo línguas da cor do futuro
furto e(r)vas do pecado-jardim,
embriagadas no sinal das ovelhas
lanço lâminas do evangelho,
mulher de anseios terrestres
vejo a fé dos ismos que banhas,
inéditos na submersão dos céus
vozes se calam, ante o tocar d’algas
tal cereja cimo das oferendas.

eis sol das oliveiras. Mulher,
peco com a minha existência.
quais feminismos, doutrinárias
sílabas do segmento labial
costuro o vento. cultuo
com a força dos dedos,

todo um íon transcrito nos guetos
sobre vivo nos assobios do beco
traçado nos operários de todo bairro
toco com as palavras as economias

do teu bantu milagre
nasço no movimento engarrafado
ante as cordas miocárdicas do divino,
fundo o substantivo soberano, Mulher
matas-me na fronteira da vingança contra o amor.

Ilustração de Muha Bazila em homenagem as mulheres de todo Brasil