Observo um pouco a destempo o que nos é contado há anos, pela geração das rumbas e meço, em jeito de comparação ao que se nos pode ser esperado a contar, como lições de vida, à geração a ser gerada por nós mesmos.

As provas para consubstanciar esta imaginação são baseadas em histórias reais que, ora se publicam ora morrem às cegas das ignorâncias anacrônicas da qual nos deixamos, talvez, por tamanha ignorância, conduzir com propósitos de que de propósito nos viremos a arrepender. Há muito que logro exigir que nos seja explicado a respeito do rumo da geração do Kuduro, esta de que faço parte e que talvez, por esta razão, me coaja a não dizer, nesta crónica, muito a seu respeito menos inovador quanto aos instrumentais e às danças quer no valor semântico dado às palavras que o engordam.

O quadro da juventude enquadra-se numa fantasia de se viver o presente sem medir que pais e avôs seremos, em breve. Pois, os dias já me não parecem ter as mesmas horas de quando éramos monandengues. Aiuê, juventude! A arritmia com que a geração de 50, 60, 70 e até mesmo a de 80 se mostram anacrônicas à geração gerada por si mesma é-me, às vezes, imperceptível quando os kotas tornam ilocável o seu papel de nos mediarem à educação casmurra . «E o que andam a fazer estes papoites a fim de melhorarem este mambo?», indagou-me um rapaz, Poeta sei lá das quantas, nestas minhas viagens de ir ao Largo da Independência de autocarro, num tempo de paz, como este (relevem-me à crueza de parafrasear o uso da frase chula do jovem aspirante a escritor, como me garantira).

E é aqui onde me vi a engolir a inspiração de debruçar sobre o tema «contar o presente a cinquenta anos» ao imaginar-me, já na curva da idade, a contar aos miúdos, à sombra das mulembas, o rescaldo da minha geração: «Vinde que o avô vos tem muito a contar.» Já assentados, prosseguiria em dizer que pertenço a geração que aprendeu menos literatura angolana nos programas curriculares; a geração que não teve livraria, com ou sem os clássicos, nas dezoito províncias do país; que se lhe foi promovida mais farras e abertura de cervejeiras do que escolas. E, exibindo um pacotinho de uísque na mão que responderá o porquê dos rebentamentos nos lábios avermelhados deste ser ubiquista em seu próprio quintal, contá-los-ia que andávamos a «dibo», dançámos o «abri o livro», sentávamos no pula pula, trabalhávamos só com o rabo, num movimento que batizámos por tchuco tchuco tchuco da qual manifestaria ter saudade: aiuêêêêêê, muita dôréééééé! Sem ensino numa nação que se garante a favor dos reais interesses da sua juventude, qual lei não emagrece a afoiteza de se lhe pôr traços nos “tes” e pontos nos “is” aos xinguilamentos juvenis sob inspiração de uma difusa canção kuduresca?!

Para dizer a verdade, há muito que calcorreia na boca do lobo um cavar de poço no solo juvenil sem a vontade de lhe ser pegue nas mãos, a fim de lhe conduzir ao abrir de olhos que se diz ter esperado nestes. E como se não bastasse, há uma manhã que nos parece agradar e aplaudir ao vermos a geração do Man Prole vs. a do Puto Tugueda carregarem seus motins com que se apedrejam nos debates, quer em fórum restrito, como a escola, quer em fórum mais aberto, como se dão a ouvir na media. Por um lado, esses kotas falam muito. Por outro, estes miúdos não lêem, não cultivam. Todos dizem já ter lido Pepetela, mas não é verdade. Mas solução que é solução, no kadingue! Dêem lá solução a estes monas (oh caraças!), sem rabujungarem que «cada mãe lambe o filho dela.»