Todos nós, falantes desta língua que se diz complicada, que se diz imposta, sabemos que os nomes (uma das classes morfológicas), para além do número, variam em género (masculino e feminino). Pela sua característica morfológica – é como se fossem traços físicos em pessoas –, reconhecemos, facilmente, o género de alguns nomes

                        Gato (masculino) – gata (feminino),

porém, para reconhecermos o género de outros, precisamos do auxílio dos determinantes artigos, aproveitando-nos da sua exclusiva função-missão de acompanharem aqueles colocando-se à sua direita: os masculinos, o artigo um ou o, e os femininos, o artigo uma ou a. Porém, por razões que nos recusamos a explicar, certos nomes próprios de lugar, os tais topónimos, não “gostam” de estabelecer relação alguma com os artigos. Isso não nega a função-missão dos artigos, pois são estes que se subordinam aos nomes para terem algum valor sintáctico. Mas estes podem dispensá-los dependendo do contexto e da intenção comunicativa. Todavia, para alguns topónimos, é inaceitável alguma relação seja em que contexto for. É o caso dos nomes de alguns países, cidades e/ou província como Angola, Portugal, Luanda, Benguela, Lisboa, etc.   

É grave, portanto, isso

                        Estou de regresso à Luanda.

Todo mundo sabe ou é suposto que todo bom falante saiba que aquela vogal com acento grave é conhecida por crase, união de um a preposição com a artigo definido feminino, mas é grave que diante do topónimo Luanda grafemos um a craseado mesmo que Luanda seja regido pela preposição a, porque Luanda não admite artigo, nem masculino nem feminino. Vejamos:

Estou de regresso ao país. (porque país sendo nome masculino admite artigo masculino o –o país)

Estou de regresso à cidade. (porque cidade sendo nome feminino admite artigo feminino a – a cidade)

Mas

Estou de regresso a Luanda (porque Luanda é uma excepção e não admite artigo – não se diz a Luanda nem o Luanda)

Para melhor compreendermos a razão pela qual Luanda e outros topónimos não admitem artigo, atentamos ao seguinte exercício com o verbo vir:

Venho da Alemanha. (da é a contração da preposição de com artigo feminino a, ou seja, o topónimo Alemanha admite o artigo a) Então, estou de regresso à Alemanha. (à é crase, união da preposição a e com o artigo feminino a como se sabe.)

Venho de Luanda. (de é apenas a preposição, simples, ou seja, se o topónimo Luanda admitisse algum artigo, diríamos do Luanda ou da Luanda.) Então, estou de regresso a Luanda. (a é apenas a preposição, já que Luanda não admite artigo.)

Há quem possa contrargumentar (tenho mesmo dúvida quanto à escrita desta palavra) dizendo que temos o nome cidade em elipse, por isso ser aceitável a crase diante de Luanda

                        Estou de regresso à (cidade [de]) Luanda. 

ou  por simples facto de Luanda ser uma cidade ou até província. E vamos encontrar em vários sítios esta regra: que diante de nome de cidades há crase. Se assim o for, tem de ser aceitável

                        Venho da Luanda.

porque em à pressupõe a existência de um artigo definido feminino a, como em da.

Então escrevam

                        Vá a Benguela e quando lá chegar, dirá que vem de Lisboa.

                        Prefira ficar em Angolaa ir a Portugal.

                        Volte a Angola e saia de Portugal

                        Mas

à África do Sul se quiser sair do país. Quando regressar, diga que veio da África do Sul.

Você que vive no Namibe, chega ainda à Namíbia, é próximo comparando a Portugal. E quando regressar ao Namibe, diga que veio da Namíbia.

Se não entendeu, aconselhamos a ler, primeiramente, o artigo (referimo-nos a um texto) É grave o acentopublicado aqui mesmo. E se ainda assim não ajudar, é grave o teu caso, pois pressupõe que tem assuntos em atraso quanto à aprendizagem da Língua Portuguesa.