O maior desejo do homem desde o surgimento da própria existência, eu já o alcancei. Ao contrário do que muitos desejariam que fosse este desejo, ele não se permite permanente, dispensa o SER, e basta-lhe o ESTAR. E quando achar que basta, baza: felicidade. Eu, filho de João Makamami, tenho tido encontros com a minha felicidade quando cago e quando mijo. Ngana Mzambi! É uma maravilha! Nestes momentos, parece que todo o sossego do mundo se reúne na minha casa de banho de paredes cujo pedreiro tivera um romance com o desassossego enquanto reunia os blocos, um em cima do outro. Mas é mesmo aí onde a felicidade me encontra em apertos felizes, esvaziando-me a mente: esqueço da Joaquina e do chifre que me deu e construo mundos que não se enquadram neste espaço em que descansa esta terra cheia de barros e poeiras, onde Joaquina precisaria dum implante cerebral.

Cagar e mijar – não os separo – são dois caminhos siameses fáceis, a custo zero, mais barato que o dízimo, para chegar ao céu. Não ao paraíso. A esse lugar, chega-se só mesmo de morte: morte de prazer sexual. A morte mesmo matada ou morrida é caminho para o nada. Quando desse nada voltar alguém que tanto amei e me provar que o nada é o tudo, tiro-me a vida e me livro da prisão que são estas paredes livres de blocos, pedras, gradeamentos, de tecto a céu aberto. Não me vou suicidar. Abomino o suicídio. Principalmente de jovens. É um insulto aos prazeres da vida, à felicidade que provém de dentro – do corpo e não da alma – no acto divino do defecamento. Por esse caminho, a felicidade está ao alcance de todos. Não temos como nos livrar dele: adoptar a abstinência de defecamento seria um acto contra a saúde. Já o acto sexual é um caminho opcional.

Porquê, então, o suicídio?

Suicídio é uma consequência cuja causa é a desinformação: dão ao acto de defecar o valor pejorativo das fezes! Que disparate! Olham para as fezes e esquecem-se do acto. As fezes serão sempre porcarias, o xixi também, embora haja quem ache o líquido doptado de poderes combativos contra a dor de vista! Isso são outros quinhentos, como dizia meu pai. Assim, informar que defecar é um acto divino é, porém, um pedido formal de uma cama no hospital psiquiátrico, a custo de nada, senão de muito choque eléctrico, injecções e comprimidos contra a sanidade em falta na humanidade dos ditos normais. Mas é, acima de tudo, sinónimo de coragem e apenas de líderes dispostos a dar as suas vidas por um bem tão comum.

Todavia, por defecar ser uma realização da qual não se escapa, realizo outros actos, aqueles ditos proibidos ou que devem ser moderados: foder, beber e escrever. Exactamente nesta ordem: quando fodo sou deus, quando bebo duvido da existência das coisas, de mim, de ti, do mundo, porque vejo as pernas de cabeça para o ar e a cabeça de perna para o chão: no céu piso, no chão flutuo. A escrita pare fectos de orgasmo e de álcool: se não fodo e não bebo, não escrevo, ou escrevo, só não sei o quê nem pra quem.