Nunca tivemos tanto o rabo como tema de conversa como nos últimos dias, desde o início do ano, o que presumo ser resultado de o rabo, que é, afinal, um dos órgão mais importantes do nosso sistema digestivo, ter a cara de mal aparecido e características de mau humorado até mesmo para um baú de fotografias secretas. O que é pior ainda quando o sinónimo que lhe atribuímos responde, audaz, pelo nome de cu – só para ser mais preciso, sob pena de não confundirmos com um bom rabo feminino com efeitos de jarda.

Em países como EUA, Japão e Canada, por exemplo, o cidadão é agora obrigado a criar medidas de racionalização para com o papel higiénico devido à sua escassez nos supermercados. A verdade é que este produto do qual sempre receávamos falar em lugares públicos ou até mesmo em nossas casas com os nossos familiares, é agora tão vaidoso que apenas aceita ser comparado com a fama da água, do sabão, do álcool em gel, e de alguns produtos de higienização, mas sempre com a vaidade e a exigência de ser permanentemente o número um da lista, devido ao prestígio que a Covid-19 lhe vai dando.

Ora vejamos, embora os dados reais (?!) sobre o surto pandêmico em África vão actualmente frustrando a OMS que previa um pico de contágio em meses em que quase nada acontece ou aconteceu – talvez porque ainda rezávamos para os céus quando a Europa apenas rezava para a ciência –, vamos, ainda assim, temendo que o pior nos abale, dada à nossa precariedade em quase tudo, desde a produção do papel higiénico às formas de nos governarem. Se bem que, pelas nossas experiências, a primeira não venha a parecer um problema graúdo como se vive nos outros continentes.

Já me explico:

Embora África seja um continente com grande potencial imaginário – a nossa potencialidade é também uma forma de apenas sonhar – para produzir papeis, em países como Angola, existe um índice elevado da população com mente tão fértil que, ao longo dos anos, foi descobrindo novas formas de higienizar o cu: arrastá-lo num chão arenoso; limpá-lo com todo o tipo de trapo e folhas de jornais – embora este último vai sendo negado ultimamente devido ao preço actual do produto.

E é isto que propomos às actuais prioridades das ralações bilaterais entre os Estados de África para com os Europeus, Americanos e Asiáticos, pôr à mesa a prioridade do rabo pelo actual prestígio que tem para ser tema de conversa no salão.

Na fértil imaginação que me é característica, vou já imaginando um diálogo entre os chefes numa tradução portuguesa:

– Bom dia, camaradas. Antes de tudo, como estão os rabos? – Perguntaria África que, como resposta, ouviria uma confusão de quem deve falar primeiro.

– Está cada vez mais…

– Temos todos os ra…

– De rabo só nos fal…

– Um de cada vez, meus senhores, de acordo com o levantar de mãos. – Determinaria África.

E pela peculiar rapidez que lhes é característica para criarem estupidez, Bolsonaro e Trump viriam a ser os primeiros a levantarem as mãos, o que criaria uma onda de protestos na vídeo-conferência.

– Até aceito que Trump fale primeiro, mas não este Jair que confunde uma doença de rápido contágio com uma simples picada de mosquito. Este devia é estar a lavar a boca a esta hora, meus senhores – contestaria ti Celito.

E Bolsonaro, na outra característica que lhe é também peculiar, a de entender e compreender mal as coisas, responderia logo: – LAVA O RABO TU, SENHOR PRESIDENTE.

– Fim de conversa – diria África enquanto se levantava para desligar os cabos.