Estilo, palavra proveniente do latim “stilu”, é um substantivo masculino que significa pequena haste de osso, metal ou outro, com uma extremidade pontiaguda e a outra espatulada, que era usada pelo homem há alguns séculos para escrever sobre a camada de cera.

Em Literatura, representa a maneira de exprimir os pensamentos, falando ou escrevendo. Entretanto, como, para escrever ou falar, precisamos de apreender os conceitos de linearidade frásica – a Sintaxe e a função de cada morfema que integra a frase – ou a forma das palavras – a Morfologia, lançamos mão à Linguística para melhor conhecer o estilo.[1]

Para que isso seja viável, escolhemos, dentro de um dos seus rebentos, a Semântica que nos permite explorar o significado das palavras, enquanto unidades lexicais, que, por sua vez, nos empresta a Estilística e essa, finalmente, torna possível conhecermos o senhor Estilo. Com todo este arsenal, verificamos que o estudo da gramática não passa da aquisição de munições para um combate; e quanto maior for o nosso conhecimento de gramática, mais munidos nos encontraremos para a luta.

Da gramática extraímos os moldes uniformes da expressão; da estilística, colhemos a beleza e a liberdade do génio, nas combinações estéticas da palavra. O grande privilégio é que isso é individual. Por isso é que se diz que o Estilo é a maneira peculiar, individual de expressar os pensamentos do escritor.

Visto dessa maneira, vamos perceber que ninguém pode escrever o que quer e dizer, simplesmente, porque é o seu estilo, pois o estilo obedece a crítica e a análise dos géneros literários, as figuras, a malícia, o esplendor, a técnica da redacção, onde haja integridade, harmonia e claridade. O escritor busca o seu estilo na afirmação da liberdade artística, pela literariedade, a ciência tangível da própria Literatura. Pelo contrário, o autor não, pois a ciência para este é o seu próprio relato, não se socorre nem da arte nem do belo como expressão artística.

Na literatura, concorrem, para o cumprimento desses factores, as frases curtas, o emprego de palavras apropriadas, a simplicidade, ou seja, fuga ao preciosismo; o empr

ego de palavras elevadas, ou melhor, fuga à trivialidade, pois há vocábulos e expressões que, embora toleradas na conversa, destoam num trabalho escrito; por fim, evitar o emprego repetido dos mesmos termos, fazer uso variado das figuras sintácticas. Para isso, conhecer o idioma em que se escreve, dominar o assunto sobre que se escreve e a leitura exclusiva de bons escritores deve servir de alimento para o nosso trabalho literário.

Esses são alguns dos pilares em que se assenta qualquer obra literária, seja qual for o género. A gramática e o vocabulário (Léxico) do idioma escolhido; a educação, ou seja, a formação, a experiência são os elementos necessários. Somente firmada nessas duas colunas é que encontramos redacção, baseada na finalidade a que se propõe o literato ou no género em que quer escrever.

Em sentido figurado, hodiernamente se define o estilo como a maneira ou o carácter  especial de os artistas, de um modo geral, assinalarem os seus trabalhos. De um modo específico, é a maneira particular de exprimir pensamentos, através da palavra falada ou escrita.

Assim, a estilística pode definir-se como a arte de bem escrever e ainda como o tratado das diferentes formas ou espécies de estilo e dos preceitos que lhes dizem respeito. Também pode definir-se como o sector dos estudos da linguagem que se ocupa com o estilo, tendo a linguagem como factor imprescindível. Entendemos, então, resumindo o pensamento do Professor Evanildo Bechara, (Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 199, p. 415), que o estilo é a reunião de processos que fazem da língua representativa um meio de exteriorização psíquica e de apelo. Temos, finalmente, a seguinte dicotomia para classificarmos a estilística: a chamada estilística da língua, de Charles Bally, e a chamada estilística da fala, apregoada por Karl Vossler, Leo Spitzer, dentre outros, do Idealismo alemão, condensando-se as palavras do Professor Evanildo Bechara.

Todavia, a distinção entre a estilística e a gramática está em que a primeira considera a linguagem acfetiva, ao passo que a segunda analisa a linguagem intelectiva, que vai se afirurar como, todo o aparato afectivo e emocional que caracteriza a expressividade do autor.

Não podemos confundir estilística (que estuda a língua afectiva) com a gramática (que trabalha no campo da língua intelectiva). Condensando isso, veremos que não é a oposição entre o individual e o colectivo que caracteriza o estilo, e sim, o contraste entre o emocional e o intelectivo.

A análise literária difere da análise estilística. Aquela é da competência do professor de literatura; esta é da alçada do professor de língua portuguesa e visa, primordialmente, enfocar aspectos do “sistema expressivo e da sua eficácia estética no idioma ou nas particularidades idiomáticas de um autor literário ou de um simples falante”, interessando-lhe “tanto a captação de traços estilísticos da língua oral como da escrita do falante comum e do literato.

Com razão, observaremos que, na linguagem de um mendigo ou vagabundo, há aspectos estilísticos da mesma natureza de todo o mundo expressional, comparados há um Shakespeare, quando se conhece a língua com a qual aprendemos a balbuciar as primeiras palavras, coisa que poucos angolanos possuem… principalmente, se assim entendermos o pensamento pessoano quando afirma que na língua existe a nacionalidade, isto é, um povo sem língua não tem identidade e isso pode provocar amiúde o nosso estilo individual… (repensemos quando afirmamos que “este é o meu estilo”).