Pai, marido, filho, amigo dos amigos, sociável, bailarino, exímio coreógrafo, professor e líder – assim foi Walter Lopes para os seus familiares e amigos, bem como para os companheiros de dança.

De nome completo, Walter Vicente Ferreira Lopes, nos palcos e outras lides dançantes, era conhecido somente como Mojó. O bailarino de 39 anos, que primou sempre pela valorização e preservação dos valores culturais de Angola, faleceu no dia 19 de Junho por razões de doença, deixando a mulher e o filho Ezequiel, que viria a completar 5 anos 15 dias após o seu passamento físico.

Mojó começou a trilhar os caminhos na dança no grupo “Lamba Laser”, que logo depois tornou-se “Cabral Monkado”. Após um tempo de aparição o grupo foi dividido, ele foi para o Kinaxixi e juntou-se aos elementos que lá moravam e decidiram criar o conhecido “Lambada do Kinaxixi”, do qual ele se tornou líder no ano de 1989, e desde então destacou-se e tornou-se o impulsionador e professor de danças de salão com o reconhecimento merecido.

O “Lambada do Kinaxixi” passou por diversos desafios, obstáculos, falta de apoio, perda de bailarinos, mas sempre destacou-se e dançou em diversos eventos, dentro e fora de Angola; participou em programas de TV; rodou o país de Cabinda ao Cunene , sendo que ao longo de tudo isso, os prémios viriam a ser parte do desmedido reconhecimento. A participação do grupo em vários concursos, aproximou-o cada vez mais do pódio, sendo que o último, de danças de salão e ainda com Mojó, acabaria conquistando o segundo lugar. Uma prova de que Mojó não desistiu e continuou a lutar pela existência do grupo e pela conquista dos seus objectivos.

No dia 6 de Junho o grupo juntou-se em casa da mãe de Mojó, de surpresa, para comemorar o 27º aniversário do grupo, e esta foi a última vez que estiveram todos juntos. Numa conversa com seus amigos, Paulino Mdombele Manuel “Boina” e Guilherme José “Nilson”, lembram: “Naquele dia dançamos, brincamos, rimos… Ele fez-nos recordar coreografias que não fazemos há anos e começou a desafiar conosco para ver quem sabia melhor, e ele nos deu capote. Danças que não fazemos há mais de 20 anos e ele recordou-se de tudo.”

Apesar de ainda fragilizados com a perda do amigo, os companheiros pretendem se reerguer e não deixar o grupo acabar. Assumem que Mojó foi uma grande influência, que sempre os ensinou a colocar um sorriso no rosto e continuar a caminhar mesmo com as dificuldades. Com isso ele deixa um legado que será mantido por todos com quem dançou, assim como por aqueles que formou.

Mojó deixará com certeza um vazio na arte, nas danças angolanas. A sua perseverança, rigor, a paixão que tinha pelos ritmos nacionais, o seu grito de guerra e o cuidado e atenção que dedicou aos seus, serão lembrados no dia 16 de Julho, num evento artístico de homenagem que o seu grupo realizará no CAP, localizado no largo das Ingombotas por trás do edifício da Peugeot, as 15:00. Espectáculo aberto para todos que quiserem participar e/ou deixar o seu tributo a este ser que transpirava carisma toda vez que mexia o corpo nos movimentos da sua dança.