Um convite acaba de cair no e-mail ou nas notificações do facebook: Exposição de Arte. Uns aderem à exposição naturalmente, outros, com alguma retracção; alguns aderem por estar com a agenda vazia nessa noite; os mais chegados ao artista, estão garantidos para não desiludir o amigo que reforça o convite desde o primeiro instante; uns poucos vão pelo interesse de conhecer a obra; há ainda os mais extremistas que vão tão-somente pela degustação do cocktail depois da apresentação.

Sem sobressaltos ou com algum ligeiro, o evento decorre, sendo questionável a compreensão e apreciação elaborada das obras pelos presentes, um misto daqueles que estão fora do espaço na companhia de um cigarro ou a apanhar ar, e os que perambulam pela sala entre fotos para redes sociais.

Para o público infante-apreciador de arte, a compreensão e o julgamento da obra acaba no acúmulo de informações e explicações provavelmente cedidas pelo artista ou folhetos com a descrição das obras.

Entender a riqueza e a beleza, embora seja um exercício intuitivo, onde algum elemento – cor ou forma – chama o observador a ver a peça com maior profundidade, é uma apreciação que se complementa com uma observação consciente e uma relação de elementos no conceito da peça. O ponto focal é o lugar em que os olhos do observador se dirige primeiro, e é importante abandonar esse ponto convencional para perceber a individualidade na unidade da obra. De lá, vem boas observações na suavidade, nitidez e curvidade das linhas; saturação, contraste, destaque e emoções das cores; o volume e dimensão das formas na comunicação e preenchimento dos espaços ou ainda na exploração da textura, que é uma das maiores explorações da arte angolana, por passar nossa africanidade.

Para quem ignora ou lhe pareça difícil elevar esses elementos da arte na apreciação, resta-lhe ainda questões conceptuais como a técnica e o tema, impressões pessoais, intenções e imaginação do artista.

Ao último, resta-lhe ser inquietante, reflectir na sua obra condições humanas, valores e intervenções políticos-sociais cada vez mais urgentes na arte nacional. Só assim, saímos todos da galeria contentes, a mídia com conteúdo importante e crítico e reduzidas observações de artistas como Januário Jano e Jack Nkanga no hábito de apreciação artística do país.