Recusei-me dos tais actos e fui promovido.

Dançavam as cadeiras no quintal da República de Nafóia. Estava eu, Uteke Ulume e Kutema. Todos amigos aparentemente e solteiros de nascença.

A rabugentice incendiou o encanto da República. Pensava-se em partir da terra que nos viu mendigo. O povo de Lukamba esteve sempre nos comícios a troco de bolacha e lambula. Destaca-se, então, o papel fulminante deste povo: aplaudia tudo e todos do par tido como Comeu-Basou.

Às 6 da tarde, numa noite clara como essa, explica-se PM a orar, Uteke Ulume pôs-se a gritar:

– Socooorro! Fui pego. Era uma aranha gigantesca.

Não suportou as teias da sua loucura na face da terra, pois era vista e sentida. O desgraçado sucumbiu. Contrário do inferno de Kaxito, a terra era leve para ele. Os pássaros cantavam papagaio é loiro.

E mais! Eu vi de longe o Gafanhoto paquerar a Barata. Isso não é normal, juro! Alguém me belisca só. Tratava-se de um puro romance entre Barata e Gafanhoto.

Gafanhoto: oi, alteza!

Barata: oi, babá.

Gafanhoto: dou-te a República de Nafóia, se fores minha dama e far-te-ei alteza do povo de Lukamba.

Barata: aceitaria, mas… Não posso! Tenho uma terra verde à minha espera e tenciono cultivá-la até aparecer os diamantes que o meu Pai prometera.
Gafanhoto: dou-te os diamantes e colocaremos fogo ao campo verde e fumaremos depois a erva toda.

Barata: vou pensar.

Apareceu-me no sonho um homem de tudo branco, mas negro de pele e disse-me:
– Vinde a mim todos vós povo que negastes ser cidadãos.

Seu bruxo duma figa! Se te mandaram diz que não me encontraste, ya. Estás marrado! Despertei.

Fui depressa contar aos amigos o sucedido. O Kutema disse-me que devia consultar o tio Zé. Não fui. Voltei a dormir e o que me aconteceu?! Não é para menos, pois onde passei a galinha não pula.

Sonhei que o chefe-maior da República nos chamou de povo e nós, os três amigos, não concordámos. Aliás, os dois concordaram. Povo de lodo, só pode! Eu disse ao Presidente que sou cidadão e não povo. Recusei-me do título e fui promovido a Mini Xtru.

About The Author

Pseudónimo de António Januário Baptista Pedro, mestrado em Literaturas em Língua Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, membro do Movimento Litteragris, membro do Projecto de Definição do Espaço das Línguas Nacionais (PRODELINA), ensaísta, poeta, professor da Escola de Magistério Kimamuenho (Bengo)

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