Sílabas soltas

Na sílaba solta dos meus lábios
um travessão de beijos
tensos, soletram ausências
na aglutinação das minhas insónias

Na sílaba presa nos teus lábios
meus temores e receios
avenida sinuosa de mistérios
no peito dos teus arranha-céus

Divisão silábica da boca
curvas que entornam palavras loucas
não são falas das minhas íntimas comichões

A verdade: páginas húmidas entre abertas
que minha serpente mordeu secreta
na linha do equador das tuas emoções

Overdose do prazer

Passo a passo com a vertical idade passo
desliza a língua, metal híbrido libidinoso
na órbita inflamada dos lábios voluptuosos
desenho do poeta no umbigo da caneta

Passo a passo, o corpo desfolhado entrego
ao vício da ejaculação fértil. Trago
na nudez do papel vermelho, o rasgo
da louca mente que inspira o poeta

Passo a passo a ponta do lápis risca, cai
no aquário desértico de segredos sinuosos
banho da chuva morna, descontrai

Kamasutra, corpos mistos, sem espaço
poesia com o sémen que uni versos
multiplicação da genética, gozo, traço… traço

Lago do prazer

Ela cala e no lago dos seus lábios
flutua a casca da minha nudez
fala com o silêncio da timidez
de mil dedos cogitando seios

Ela grita feito praça ao amanhecer
e na pureza insana do querer
chora com a dor emotiva do prazer
onde ofereço o desejo do meu ser

Inspira, respira e deixa-se penetrar
como raios de sol em tecto de palha
eu! No céu corpo nu vens a flutuar

E sinto no sabor o desabotoar da alma
neste amar tão louco que se desfolha
e deixa nossos corpos em constante chama