A literatura é um pouco de cada um de nós!

A literatura é, dentre outras coisas, a partilha de coisas sagradas para todos nós enquanto seres humanos – não importa os nomes que damos a estas coisas. É a partilha de partes importes e significativas de nós mesmos, dos outros, das nossas culturas, vivências, dinâmicas, e do belo eterno que nos circunda mesmo quando não conseguimos ver. Se isso não é sagrado, não sei o que é!

«Diário De Um Professor (A) Normal» de Edy Lobo Entre o Literário e o Para-Literário

Edy Lobo reúne, em «Diário de um professor (a) normal», uma vintena de crónicas que se situam entre o literário, o jornalístico e o dissertativo, impregnadas do seu saber multifacetado que se consubstancia no conhecimento de áreas como jornalismo, literatura, didática e investigação científica. Reconhecemos valor em cada texto desse livro, no entanto incidir-nos-emos apenas em três textos em razão das exigências cronológicas da apresentação de um livro.

Bons ventos para o humor nacional

O povo angolano sempre foi caracterizado como um povo de sorriso fácil. E não sem motivos, pois não faltam manifestações culturais onde os elementos do humor são evidenciados mesmo quando as circunstâncias sociais não são tão inspiradoras. Por exemplo, o fenómeno cultural denominado “estiga”, caracterizado como um duelo em que os intervenientes troçam-se caricaturando elementos físicos e psicológicos, parece ignorar a realidade do meio circundante dos nossos musseques onde é habitualmente palco desse evento, a menos que esta realidade sirva para promover mais risos.

Elinga, voz e violão e ela

Mas ela cantava, se a guitarra ou ela, mas cantava, suspiros que me envolviam em abraços que dispensavam o corpo; voz e ouvido acasalavam-se e comentários viam-se para o mundo exterior, livre por cada nota, do Dó ao Dó com o Fá a servir-se como ponte da receptividade do alheio à minha volta. À nossa volta.