Uma reflexão embrionária sobre a titulogia na literatura angolana

Em nosso estudo, essa palavra advém da cisão títu + logia. Porém, é fundamental que se apresente o que se entende por título, segundo o Dicionário Da Língua Portuguesa Contemporânea da Verbo editora (2001, p. 3573): “(Do latim titŭlus). Denominação de um livro, capítulo, jornal, artigo (…)”. O conceito de titulogia surge dos distintos processos linguísticos: primeiramente, recorre-se à queda ou supressão propositada, apócope, elimina-se a última sílaba “lo”, posteriormente, dá-se, implicitamente, o processo morfológico de formação de palavras, a falsa derivação, por “títu e logia”, mas não se tratando, concretamente, de sufixo e prefixo; numa segunda visão, é também um neologismo híbrido, recorrendo-se à segmentação do conceito para se apurar, mesmo de forma embrionária, o seu processo de formação. Com o referido lexema, pretende-se um estudo semântico dos títulos na literatura angolana.

Análise transcendental na poética netiana

Nos últimos anos, em Angola, os que detêm o poder económico e político-militar têm abusado do poder judicial. O sujeito poético, em Neto, alertou-nos: os homens negros ignorantes /que devem respeitar o homem branco / e temer o rico (2016, p. 25). Não é por acaso que João Lourenço, ciente da realidade na sua tomada de posse à presidência de Angola, em 2017, disse “que ninguém é tão poderoso ao ponto de não ser punido, e que ninguém é tão pobre ao ponto de não ser protegido”.