Do dia anterior até ao dia onze de Novembro, embarcou num sono de doze horas, ultrapassando o que os médicos têm recomendado. Eram doze horas quando o seu sobrinho o acordara para lhe dar a novidade que a tia comprara pão e chá para o matabicho do dia da dipanda. Pulou da cama, limpou os dentes e comeu o pão com chá.

Era um dia muito quente, parecia que, atrás da terra, o sol era cozinhado com muita raiva. Passou toda a tarde – com o seu bocado de pão e chá na barriga – em casa. Ao cair da noite, os carros caminhavam, rapidamente, nas ruas, as pessoas se esgueiravam, as meninas, metidas nos calções curtinhos, deambulavam, os moços e os kotas embebedavam-se em volta dos seus carros (uns luxuosos, outros sem estilo algum), não se entendia a substância das músicas por causa da simultaneidade com que eram colocadas em vários carros próximos. Onze amigos conviviam e, no mesmo lugar, cada um com a sua música, uns em hip hop, outros estavam a saborear o som da kizomba e alguns em antilhanas e sembas.

Francisco cansou de estar em casa e, como era óptimo bailarino de semba e kizomba, procurou então uma escola de dança. Foi a várias escolas, porém em nenhuma havia ensaio, apenas encontrava, em todos os locais onde ocorriam ensaios de semba e quizomba, panos com escritas: Noite da Dipanda, Noite do Pé no Ar, Noite da Espuma, Noite da Tanga Molhada, Noite do Tchuna-Baby, etc. Nas ruas só se ouviam músicas do tipo Arroz co’ feijão, Massa com Tudo, Kapri, Senta nu pula, pula e a Felicidade. Nas esquinas, só havia moços e moças enrolados aos beijos e jovens larápios a fazerem das suas.

Francisco apenas queria celebrar a dipanda numa escola de dança, todavia não encontrava nenhuma, pelo que decidiu voltar a casa. Posto em casa, o arroz com feijão comeu, leu um pouco de Henrique Abranches e dormiu pensando se a dipanda era mesmo para ser transformada em santuário de cucas, liambas, namoricos e dia de pinchos.